14.2.10

Massive Attack - Heligoland

 

Massive Attack

Disco: Heligoland (2010)

Sim, Del Naja e G Marshall estão de volta num disco primoroso. Heligoland é a mostra que os sete anos longe do estúdio não deixaram acomodados os pais de "trip hop". Porém, assim como o Portishead, eles deram uma paquena guinada na sonoridade e mostraram que ainda fazem parte da vanguarda downbeat. Mergulhados num sombrio universo sintético, onde vozes deliram vagando pelos túneis da inconsciencia rumo as artérias do desconhecido e paisagens caras ao próprio Massive. Como a irresístivel "Babel" com vocal soberbo de Martina ou o piano dark de "Pray For Rain" que vai desenhando o ambiente com o vocal David Bowiano de Tunde Adebimpe (TV On The Radio). ou a nervosa "Girl I Love You" com vocais graves de 3D e participação de Horace Andy, linhas de baixo elegantes, numa sonoridade próxima a ouvida no disco anterior, 100th Window. O disco vai avançando e já estamos até os pescoço presos no sedutor espaço trimimensional dos Massive e ele nos entorpece com a genial "Psyche" onde hipnotica lhe é o termo mais bem aplicado num verdadeiro expiral mágico com vocais femininos transbordando pelas bordas dos espaços dos sentidos e desaguando na não menos genial "Flat Of The Blade" com participação de Guy Garvey (Elbow) canção que poderia estar em The eraser, disco solo do Thom Yorke, em seus melhores momentos, mas também poderia ser uma canção perdida de Bjork em Homogenic, sussurros densos, graves timbres num ambiente caro a Ellen Allien & Apparat ou aos pesadelos de Beth Ginbons mas que tem a assinatura dos rapazes de Bristol. E como se ainda não fosse suficiente, "Paradise Circus" apresenta Hope Sandoval (Mazzy Star e Hope Sandoval & the Warm Inventions participações com Jesus & Mary Chain ("Perfume"), Air ("Cherry Blossom Girl") e a sublime "Asleep from the Day", do álbum Surrender dos Chemical Brothers) Numa das melhores músicas já criadas pela dupla, Um jazz elegante, entre densas linhas entrecortadas de beats e palmas e o vocal soberbo de Hope, canção que poderia fazer parte facilmente de Mezzanine. E entre violões, pequenos orquestrações e melodias complexas e arranjos que passam longe de fórmulas prontas, Heligoland, já candidato a disco do ano, vai se esculpindo e temos aqui um candidato também a clássico da banda, que não é pouco para quem já deu ao mundo seminais como "Blue lines" (1991) ou Mezaninne (1998). As colaborações ainda se destacam em "Saturday Comes Slow" com Damon Albarn. O disco fecha com a genial "Atlas Air" com o sabor de um disco impecável nos ouvidos, onde se viciar é quase um ato da natureza.

massive_attack_heligoland_2010

 

Para ouvidos entorpecidos por: Tricky, Portishead, Microbunny

1 comentários:

Nádia C. disse...

love you!
miss you!

adoro suas resenhas, Le.
Ainda verei um livro seu nas livrarias :)