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7.7.11

Flying Lotus- Los Angeles

 

Flying Lotus

 

Los Angeles (2008)

 

Se eu pudesse adentrar os circuitos do cyberspaço e desbravar seu âmago desconhecido -como um vírus ensandecido se debatendo no interior de algum software exótico - certamente teria Flying Lotus- Los Angeles como uma das trilhas sonoras. 

O segundo disco do jovem produtor americano é uma amostra de colagens supersônicas, recheadas de texturas que mesmo com muitas escutas, ainda surpreende com um beat ali, um loop aqui. Sua construção hermética fleta com o hip hop, jazz space e montagens de vocais negros cyborgs que se diluem - enquanto somos tragados - para dentro da atmosfera sintética, tornado o disco uma experiência inigualável.

As referencia que extrapolam vão de Aphex Twin à Autechre e Madlib também é citado. O que ouvimos no segundo percurso de Steve Ellison é um disco profundamente coeso, com uma solidez fantasmal, amarrado pelos quatro cantos com modulações vertiginosas de delírios metálicos, paisagens que se mesclam em múltiplos movimentos dos seus samples além da gravidade. Um disco de diálogos que exprimem imensas certezas -que o sentido foi perdido - em algum planeta inventado na mente andróide de Flying lotus.

 

Obra de arte.

 

 

Para ouvidos entorpecidos por: Aphex Twin, Autechre, JUAN_ATKINS

24.5.10

Flying_Lotus-Cosmogramma-2010

 

Flying lotus

Disco: Cosmogramma (2010)

Odisseia cósmica a bordo de um shuttle que percorre a órbita da música negra, a velocidade warp, rumo ao mesmíssimo local de partida.

Convidado para o Sónar 2008 por Mary Anne Hobbs (autora do programa “Dubstep Warz” da BBC Radio 1, dedicado ao dubstep, e considerada como uma das mais referenciais divulgadoras deste género nascido no sul de Londres, na senda do pioneiro e ex-colega John Peel), Flying Lotus (nome de guerra para Steven Ellison) actuou na mesma noite de Shackleton, Mala, entre outros projectos mais ou menos emergentes da cena dubstep. Terminada a sua vibrante sessão, deixou-se ficar no palco, minando a actuação de dois miúdos que se seguiram, intrometendo-se com samples e loops oriundos do seu equipamento, em constante sobreposição, resultando num espectáculo bizarro, sofrível, ininteligível, até ao nascer do dia. Numa palavra: caos. E não é só em palco, ou sob o efeito de opiáceos, pois Los Angeles (2008) padecia da mesma desordem rítmica, com beats quebrados e dessincronizados, sons desfasados, texturas alienígenas e demais apontamentos não-convencionais, conjugando o hip-hop, o dubstep e o broken beat com várias outras linguagens urbanas, num disco tão estranho e inclassificável quanto experimental e, na medida do impossível, original.
Novamente pela Warp de Chris Clark, o agente do caos volta à carga com a edição de um seu terceiro longa-duração, intitulado Cosmogramma (2010). Um caos que, revela-se-nos agora, parece obedecer a um sentido superior de harmonização cosmológica. Toda aquela desordem rítmica e sonora, com faixas que vão terminando umas por cima das outras, resulta num todo incoerente mas funcional, ora como que a possibilidade da existência de vida por debaixo de uma superfície absolutamente inóspita, num qualquer astro distante. O dubstep londrino não passou, afinal, de um equívoco episódico, rótulo tornado obsoleto. Ellison é californiano, tem como tia-avó a mítica Alice Coltrane e é admirador incondicional de J Dilla.
Este novo disco é um caldeirão onde se misturam diversos ingredientes: cultura de videogames, hip-hop de cariz old school, grooves electrónicos, atonalidades jazzísticas, etc. A incerta altura ouvimos uma linha de baixo dedilhada à Pat Metheny que, embrenhada em toda uma parafernália de loops e sintetizadores, remete para a reminiscência dos Headhunters de Herbie Hancock. Precisam de mais um rótulo, mais um neologismo? Talvez digital-jazz, ou a ressurreição de Sun Ra na narrativa de um jogo de computador, pilhando tudo à sua volta. Em duas palavras: caos e pilhagem. Pressente-se que Flying Lotus quer conquistar o mundo, só não descobriu (ainda) a melhor farsa para o fazer.

Gustavo Sampaio
gsampaio@hotmail.com

Texto encontrado em> Bodyspace

Para ouvidos entorpecidos por: Alice Coltrane, Cosmic jokers, Four Tet.

Download: rapidshare