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4.2.11

Graciela Maria - Many Places

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Graciela Maria

 

Disco - Many Places (2011)

 

Algumas paisagens, mesmo as mais banais se tornam intensas,

quando sentidas de forma como um observatório intimo,

são capazes de um verdadeiro arrebatamento onírico.

Alguns discos detém dessa magia inextrincável e outros apenas

conseguem ser sublimes, como um passeio por um diário de um sonho.

 

Debut da mexiacana Graciela Maria, Many Places é organico em sua natureza central,

destilando pequenos tratados por lugares excentricos, peças que se constroem inventivamente,

o disco todo respira a construção de uma memória, rabiscando o presente na ponta do lápis de nossas percepções.

 

E essa foi a intenção da moça, álbum multifacetado, com composições em vários lugares

olhamos para janela de fora da nossa alma e percebemos que tudo gira lá fora

as vezes como uma tenebrosa tempestade, as vezes com o movimento de nossos próprio passos únicos.

 

 

Para ouvidos entorpecidos por: Emiliana Torrni, Jeff Buckley, juliette judith

 

 

 

 

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18.11.10

Alpha - Come From Heaven ou a união espacial dos sentidos

 

 

Alpha

Disco: Come From Heavan (1998)

 

Com Come From Heavan podemos viajar no espaço.

Formado por Andy Jenks e Corin Dingley o Alpha, grupo britânico de downbets, nos arremessa com seu debut em seu jazz espacial com vocais negros bluseiros e ambientes cinzentos, de poucas luz e camadas noturnas de madrugadas solitárias.

Com uma carreira ate hoje impecável, com Come From Heavan no alpha cometeu o ato de ser sublime.

Rain, por exemplo, nos afunda em cordas e pianos constantes que pulsam em nossa matéria flexível e doses de melodia irresistível. Gravado no estúdio criado pelos Massive Attack, o alpha ainda bebe em fontes como Portishead e no classic jazz e penetra nos ambientes com aveludados delírios eletrônicos.

Sometime Later é uma câmera lenta descendo por nossas percepções além do espaço, capturando cada detalhe em gruas poeticamente angustiante, numa canção que pulsa melancólica,  canção indispensável para se entender o que faz o Alpha e qual o poder arrebatador de sua gama sonora.

Petardos hipnotizantes como Slim ou alucinações auditivas como a faixa titulo From heaven, torna essa pérola dividida em quatorze pedaços de canções-nuvens em luzes que dialogam com o interior da alma e voltamos para casa ou melhor para nosso mundo nas asas de nossos sentidos que se dilatam lentamente mas com a certeza que nao foi um vestígio… Temos marcas de infinidades nos nossos ouvidos e corações...

 

 

Para Ouvidos entorpecidos por: Portishead,Air,Sigur Rós

7.8.10

Jeff Mills - The Occurrence

Jeff Mills

Disco:  The Occurrence [2010]

Uma das grandes razões "filosóficas" da música hoje em dia é...Onde o Techno/música eletrônica vai parar? Alguns dos alienigenas, digo cyborgs, digo, genios, digo...Djs, estão tão longe que só é possivel ver seu rastro com um olhar bem profundo sobre a própria razão e contemporaneidade da música da nossa geração. Jeff Mills lendária figura do Techno de Detroit apresenta sua releitura do espaço sideral e atira com um raio laser no pulmão da gravidade.

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Para ouvidos entorpecidos por: Espaço sideral, Star trek, Techno de Berlim & Detroit, física quântica

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Capa

 

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25.7.10

Modeselektor - Happy Birthday

Modeselektor

Disco:  Happy Birthday (2007)

Gernot Bronsert e Sebastian Szary são cyborgs nascidos em Berlim que pretendem misturar nossas percepções num calderação que chips desordenados que passam pelo Techno, Hip Hop, dark, black, idm e ácidos coloridos que o trazem para dentro da vanguarda alemã. Happy Birthday, segundo disco da dupla, traz um leque de partipações emblemáticas, como Thom Yorke, Apparat e Máximo Park. Funde-se em peças delirantes não menos irresponsavelmente futuristicas que parecem saidas da mente de um androide com sérios disturbios genialmente criativos.

Para ouvidos entorpecidos por: Ellen Allien, Apparat, Tricky

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Capa

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17.7.10

Sam Sheperd/Floating Points

Sam Sheperd

Projeto: Floating points

O jovem menino prodígio da terra da rainha Sam Sheperd com seu projeto de infinitas dimensões (Floating points) é uma dos grandes "achados" da eletrônica contemporânea. Sua música horizontal diga-se espacial diga-se sem interferência da gravidade  se une e se espalha  como pontos flutuantes inimagináveis apontando para o futuro além da galáxia...

Remix

Remix

Remix

Remix

 

Para ouvidos entorpecidos por: IDM, Novidades tecnológicas, cosmogonia, space jazz.

13.7.10

Crítica/Actress-Splazsh

O regresso a Hazyville: estranho lugarejo onde o fascínio tecnológico convoca o medo racional do amanhã.

Por: Rafael Santos

O aviso de advertência fica, desde já, para quem não gosta do esforço que alguma música exige do espírito humano. Porque quem andar musicalmente desamparado poderá tropeçar – no dia que se cruzar com este disco – na ravina que conduzirá a sua animosidade fatalmente para uma obscura caverna urbana repleta de paredes mutantes, sombras enlameadas, andróides montados do avesso, distorções na continuidade do espaço, aranhiços metálicos ou almas atormentadas a vociferar para o vácuo e de lá sair desconfiado que existe mais vida para além do que percepciona. Excesso de ficção-cientifica de segunda categoria para caracterizar um disco como Splazsh? Talvez.

Mas apesar da caracterização exagerada, talvez seja ela mesmo a mais precisa para descrever tão deslocada realidade sonora.
Ao segundo tombo Darren Cunningham não perdoa. Se Hazyville era um bizarro exemplo de como se poderia pegar nos elementos básicos do house de Chicago, o techno de Detroit, dubstep londrino ou o r&b sem código postal definido, dissecá-los para depois urdir uma argamassa obscura sem talhe pré-definido, Splazsh arrepia caminho nas mesmas avenidas repletas de imprevisíveis ravinas. Desta vez o bafo da novidade passa pela introdução de discretos elementos que abrem o leque de Cunningham à mais pura especulação.

Junta-se, então, ao díscolo empastado que já conhecíamos abstractos elementos funk maquinal, esperma electro e tribalismo urbano com espasmos reminiscentes do imaginário jack. Mas, para que fique claro – e ironicamente –, fazer dançar não é definitivamente o objectivo deste estranho objecto conceptual.


Será obrigatória alguma passividade nos circuitos que transportam os sons dos tímpanos até à massa cinzenta. A resistência a Splazsh é inevitável até para quem se predispõe regularmente à divagação nos híbridos sonoros que por aí vão aparecendo. Não valerá a pena catalogação, porque o que aqui se descobre é de facto distorcido, contorcido e retorcido, é frio seco que queima a pele mais protegida, são ambientes de nebulosidade pesada onde se passeiam espíritos com causas pouco transparentes. E não se pense uma vez mais que as descrições inspiradas em series sci-fi soturnas são despropositadas, porque deste desumano e singular facto estético de baixa definição poderão muitos futuros autores de ficção-cientifica retirar inspiração para criar ambientes peculiares que enriquecerão o imaginário futurista dos seus leitores. Excepcional.

Capa

 

Para ouvidos entorpecidos por: Autchere, aphex twin, Neu!.

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Matéria encontrada em> Bodyspace

 

11.7.10

Air - Talkie Walkie

Air

Disco:  Talkie Walkie (2004)

Alguns grupos parecem passar despercebidos de geração em geração mas quando nossos ouvidos tropeçam numa audição mais segura e delicada, é como se tivessemos achada um tesouro dentro do báu das nossas percepções. Nicolas Godin e Jean-Benoît fizeram um belo e sublime disco, terceiro da sua coleçao em estúdio, sem contar uma trilha sonora e coletânias direcionadas, mas Talkie Walkie é um verdadeiro convite a sensibilidade. Passando pelo delírio apaixonado com letra irretocável de "Vênus" aos vocais mágicos de "cherry blossom girl" pela simetria flutuante de "Run" com vocais se repetindo pelos confins dos nossos pensamentos mais completos e inconfessáveis ou pelo violão marciano que choca pela beleza saindo dos poros da melodia e vocal onírico de "universal traveller" transforma Talkie Walkie num achado, naqueles discos que estão fora dos catálogos mas que aquecem nossos corações com a eterna beleza da canção.

 

Produzido por ninguém menos que Nigel Godrich, o disco ainda reserva o instrumental em homenagem ao diretor de cinema e vídeo Mike Mills, a psicodelica com letra surreal de "surfin on a rock" uma das canção mais bem estruturadas do duo e "another day" com sintetizadores navegando pelas pertubadoras águas da melodia enquanto a dupla desliza com violões pelas subterraneos da letra que nos avisa da constatação simbolica da morte e nascimentos de um novo dia. Nicolas Godin e Jean-Benoît acertaram a mão e Talkie Walkie é um dos melhores discos da década 00 e uma dos pontos mais altos na carreira dessa dupla francesa de vocal impecável, letras delicadas e melodias liricamente espaciais. Um convite a uma viagem sem risco de turbulências pelo universo ímpar dos Air.

 

Para ouvidos entorpecidos por: Serge Gainsbourg, Jean -Jacques Perrey, Tangerine Dream

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16.6.10

Microbunny - 49 Swans

Microbunny

Disco: 49 Swans (2010)

Os canadenses do Microbunny estão de volta num atmosfera menos cybog mas não menos pertubadora.  Al Okada vem do que é pra mim um dos melhores discos dos anos 00, o fabuloso “Dead Star (2004). Mas se em Dead Star o universo era repleto de minimalismos entrecortados por faixas curtas e assustadoras captaneadas pelo mágico vocal de Tammara,  49 Swans tem algo de mais organico. As paisagens seguem pertubadoras, o ambiente é cyborg e paira num ar certa frieza jazzy androide muito bem construida pelo belo vocal de Rebecca Campbell. Um disco para ser desconstruido a cada nova audição. Uma pequena pérola que a príncipio não tem o mesmo impacto de Dead Star mas mantem a estrutura fantasmal e única de uma das peças importantes do imaginário downbeat.

 

Para ouvidos entorpecidos por: The Silk Demise, Boards of Canada, Bonobo

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24.5.10

Flying_Lotus-Cosmogramma-2010

 

Flying lotus

Disco: Cosmogramma (2010)

Odisseia cósmica a bordo de um shuttle que percorre a órbita da música negra, a velocidade warp, rumo ao mesmíssimo local de partida.

Convidado para o Sónar 2008 por Mary Anne Hobbs (autora do programa “Dubstep Warz” da BBC Radio 1, dedicado ao dubstep, e considerada como uma das mais referenciais divulgadoras deste género nascido no sul de Londres, na senda do pioneiro e ex-colega John Peel), Flying Lotus (nome de guerra para Steven Ellison) actuou na mesma noite de Shackleton, Mala, entre outros projectos mais ou menos emergentes da cena dubstep. Terminada a sua vibrante sessão, deixou-se ficar no palco, minando a actuação de dois miúdos que se seguiram, intrometendo-se com samples e loops oriundos do seu equipamento, em constante sobreposição, resultando num espectáculo bizarro, sofrível, ininteligível, até ao nascer do dia. Numa palavra: caos. E não é só em palco, ou sob o efeito de opiáceos, pois Los Angeles (2008) padecia da mesma desordem rítmica, com beats quebrados e dessincronizados, sons desfasados, texturas alienígenas e demais apontamentos não-convencionais, conjugando o hip-hop, o dubstep e o broken beat com várias outras linguagens urbanas, num disco tão estranho e inclassificável quanto experimental e, na medida do impossível, original.
Novamente pela Warp de Chris Clark, o agente do caos volta à carga com a edição de um seu terceiro longa-duração, intitulado Cosmogramma (2010). Um caos que, revela-se-nos agora, parece obedecer a um sentido superior de harmonização cosmológica. Toda aquela desordem rítmica e sonora, com faixas que vão terminando umas por cima das outras, resulta num todo incoerente mas funcional, ora como que a possibilidade da existência de vida por debaixo de uma superfície absolutamente inóspita, num qualquer astro distante. O dubstep londrino não passou, afinal, de um equívoco episódico, rótulo tornado obsoleto. Ellison é californiano, tem como tia-avó a mítica Alice Coltrane e é admirador incondicional de J Dilla.
Este novo disco é um caldeirão onde se misturam diversos ingredientes: cultura de videogames, hip-hop de cariz old school, grooves electrónicos, atonalidades jazzísticas, etc. A incerta altura ouvimos uma linha de baixo dedilhada à Pat Metheny que, embrenhada em toda uma parafernália de loops e sintetizadores, remete para a reminiscência dos Headhunters de Herbie Hancock. Precisam de mais um rótulo, mais um neologismo? Talvez digital-jazz, ou a ressurreição de Sun Ra na narrativa de um jogo de computador, pilhando tudo à sua volta. Em duas palavras: caos e pilhagem. Pressente-se que Flying Lotus quer conquistar o mundo, só não descobriu (ainda) a melhor farsa para o fazer.

Gustavo Sampaio
gsampaio@hotmail.com

Texto encontrado em> Bodyspace

Para ouvidos entorpecidos por: Alice Coltrane, Cosmic jokers, Four Tet.

Download: rapidshare

5.1.10

Microbunny - Dead Star

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De repente somos abduzidos para um mundo distante, cheio de ambientes claro escuros, soturnos, becos frios da nossa mente, espaços umidecidos de subconsciências, como se a viajem já tivesse começado, mas só agora estamos com a consciência disso e pior, não sabemos para onde estamos indo...

Formado por Al Okada e Tamara Williamson. O Mycrobunny, grupo canadense de downbeat. Lançou em 2002 seu primeiro álbum e logo em seguida lançaria um dos mais intrigantes discos da ambiência eletrônica, também chamado na década de 90 de Trip Hop. O texturizado e cosmicamente genial Dead Stars (2004).

Disco que tem a personalidade dos grandes álbuns. É orgânico dentro da inogarnicidade eletrônica. Há texturas jazzistas que se misturam a batida breakbets, doses de blues Spaces, cordas se entrelaçando com metais, violinos e trompetes sendo entrecortados por um vocal cosmicamente esquizofrênico. Batidas etéras sobrevoam a melodia enquanto trompetes distantes passeim pela extremidade de "HONEYTONE" o vocal de Tamara adentra o tempo e espaço sendo conduzido por ásperas texturas de pianos gélidos e beckvocais caindo em abismos próximos de nós. Em "Gamma Hydra IV" sintetizadores alucinados misturam-se a intensa bateria e logo ouvimos ensurdecedoramente metais rasgando a melodia, órgãos engolindo o vocal de Tamara que flutua acima de todo o caos sonoro enquanto somos soterrados por fragmentos jazzy transformados em angustiantes ambientes perturbadores. "Grey Stars" é um pequeno instrumental que surge em freqüências paralelas, beats que uivam soprando-nos para sermos conduzidos a outras galerias do nosso cérebro. Enquanto a instrumentalização minimalista de "Henoch" surge como uma forte e curta tempestade sintética e nos arremessa em "Wishing" . Um piano melancolicamente crepuscular joga nosso ouvidos no espaço intermediário entre a consciência e o tênuo descompasso existencial. O vocal disperso estende seus braços para alcançar nossa inalcansabilidade e tudo se acalma em entorpecimentos mútuos. O piano paráfraseia nossos lamentos cheio de universos paralelos e vocais e pratos explodem contra a parede da melodia nos levando a "Binbo Furi", mais uma instrumental onde batidas constantes se entrelaçam com sintetizadores fugitivos e um piano ao longe vai sendo coberto pelos nevoeiros cheios de uivos de "Season Of Change". Estamos alucinados, sons de águas metálicas e ecos repletos de cristais e um vocal entregue a seu espaço interior abocanha partículas de pianos e metais, criando pequenas colunas que sustentam o texturizado corredor dos nossos sentidos cheios de cavidades de sonhos espaciais... mas, definhanhos prematuramente e assim vem nascendo a instrumental alienígena "Silver Stars".Notas de pianos abrem as portas e fortes gritos roucamente inoxidados ensurdecem os quatro cantos para então "Blue Stars" surgir das cinzas gravitacionais da melodia. Trêmulos espaços são preenchidos por uma ambiente grave conduzindo pelo baixo passionalmente vulcânico. O vocal de Tamara vai adentrando todos os pedaços,trompetes e sintetizadores se misturam como uma falsa calma que vai se esculpindo em desequilibrada fuga desesperadoramente sentida na vocalização final, a canção vai desaparecendo aos poucos para surgi num horizonte vertiginoso a instrumental"Eminiar VII". Ecos mistura-se a scratchs e todos abraçados por alucinantes ruídos andróginos para então "The Drifter" arrasta-nos para alem dos espaços físicos. Somos levados para fronteiras entropofagicamente ciborgs, onde uivos são ouvidos à quilômetros como se estuvesses presos em cápsulas acústicas onde gritamos desenfreiadamente sem ser ouvidos, a Insuportabilidade do silêncio nos agredindo em telas que capturam nossos gritos e o arremessa no abismo do esquecimento irreparável. Certo equilibrio restaura-se em "Rose-Coloured Glasses" mas já estamos rendidos, o vocal de Tamara para nos fazer lembrar de nos mesmos, a bateria inicial que puxa a melodia serve como um despetar da sonífera vertigem absoluta, a textura beat racha as câmaras densamente etéras da melodia, soluços de trompetes se transformam em braços nos conduzindo a completa transcendência e pianos deságuam nos deixando sozinhos por alguns segundos e assim a faixa título vai se esculpindo e começamos a ouvir "Dead Star" entre ecos de madrugada que descem pelos campos dos nossos sussurros faíscas imaginarias brotando de todos os lugares, a bateria surge grave e algo começa a tremer com esparsos ruídos estilhaçados que nevam sobre nossas cabeças e esperamos para sermos embebedados pelo caótico universo de nós, o vocal sublime, como se pouco se importasse agora, definha para cima, conversa consigo mesmo, num monólogo feito de universos paralelos completos. Novamente tudo se espalha, batidas entubadas chocam-se em pura esquizofrênia eletrônica, pianos despencam em notas quilometricas, o vocal desaparece surgindo abismais ventos despersonalizados, como uma abdução de sentidos e quando parecia que tudo definharia nessa tempestade um piano faz renascer no ambiente a calma noturna das estrelas. A bateria volta a circular pela melodia, já se ouve pequenos sussurros do vocal timidamente crescendo pelos segundos mas são logo transformados em matemáticos gemidos que mais uma vez são sobrepostos por um tempestuoso som inominável que brota do silêncio e toma conta de todos os espaços. Trompetes se espalham por meio de pianos e a tempestade soterra todas as saídas, somos transportados finalmente para desertos e oceanos, galáxias e vulcões, florestas derradeiras e planetas desabitados e lentamente improváveis dedilhados de violões se infiltram para o derradeiro recomeço para terminar num expiral de conversas paralelas e raios de luz saindo de nossas cabeças desarticuladas rumo ao infinito espaço interminável.
Ainda temos tempo de ouvir"Season of Change" retornando numa espécie de remix acústico com violão e melodia minimalista e com um vocal masculino e soturnamente belo e adormecemos de onde ainda nem acordamos. e Dead Star encerra-se com diálogos ao fundo de crianças brincando, estranhos ruídos metálicos e arranhões de portas embutidas sendo abertas e estamos de volta, cuspidos ou deixados com nós mesmo, mas, quem somos e onde estivemos? E pra onde vamos depois de visitar as galáxias mais distantes?



Para ouvidos entorpecidos por: Judith Juillerat, Bjork, Spylab
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1.1.10

Parov Stelar

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Parov Stelar

Disco: Seven And Storm (2005)

O nome é Marcus Füreder. Dj austríaco mais desconhecidamente conhecido por Parov Stelar. A palavra é Jazz. Elegência jazz com traços bets se entrelaçando com vocais femininos charmosos e sedutores, como que nos conduzindo até as paisagens secretas de uma noite onde caminhamos por ruas solitárias, entre os faróis dos carros e silenciosos sussurros de taças de vinho esperando sua vez. O Monolito urbano chama-se Seven And Stom. Irressístivel é a palavra mais próxima pra definir a experiência e durante ela é deleitar-se pelos sofás dos nossos sentidos sem deixar derramar vinho nas nuvens das nossas percepções.

Música: My Inner Me...

Para ouvidos entorpecidos por: Alpha, Paul Murphy, OneTwo

The Eraser

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Thom Yorke

Disco: The Eraser (2006)

A voz sempre foi tratada como um instrumento à parte numa canção popular. Como aquela que guia a canção por dentro da melodia e a desenha pelos litorais dos nossos ouvidos. Mas poucos conseguem apenas dilui-la por sobre as camadas como se mais um piano ou um xilofone fosse, como Thom Yorke. Sua voz tem qualquer coisa de instigante, teatralmente lúdica, parece (e ele já confessou isso) que sempre está buscando novas formas em meio a abstração sonora de sua banda. Mas, Yorke precisava enfrentar seus fantasmas e pra isso nos entregou em 2006, uma pérola dos tempos modernos. The Eraser. Quem acompanha IDM e o chamado downbeat, sabe onde The Eraser está pisando, mas aqui temos algo mais além, temos um dos maiores compositores da sua geração numa performance intransferivel. Thom parece estar numa arena cyborg, lutando com máquinas fantasmas entre diálogos com cines negros, entre sopros nos corações dos nossos ouvidos que aos poucos vai aceitando a estranheza sintética dos bets se fundindo com o átomo sublime do vocal. Entre excêntricas paisagens pertubadoras, resquícios de confusos idioteques pelos caminhos dos becos existencias, onde apenas Thom Yorke sabe as senhas e os caminhos de volta. The Eraser é o disco de uma voz atormentadamente imcompáravel quando de uma beleza - densa beleza cinza, futurística e rara- falamos. ou como diz o próprio gênio:

It's all boiling over
All boiling over
Your little voice
Your little voice

 

Cymbal Rush

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Capa: The Eraser

Para ouvidos entorpecidos por:Radiohead, Four Tet, Aphex Twin

31.12.09

Bowery Electric

 

Bowery Electric

Música: Soul City

Disco: Lushlife (2000)

Uma das obras primas do Trip hop. Ultimo disco do duo americano Lawrence Chandler e Martha Schwendener. Disco de uma atmosfera sombria, como um percurso pelas noitadas excentricas de uma cidade grande, com personagens só vistos naquele ambiente, dialogos repletos de metáforas ocultas em becos impenetráveis para mentes não acostumadas com rotineiras insanidades pelas vielas das horas madrugadoras. Lauhlife entorpece por suas faixas que se entrelaçam mutuamente causando a sensação de ser um disco de um unico tiro pelos corrimões dos nossos sentidos. Para quem procurar debruçamentos com ouvidos dispostos a tramar o próprio perder-se de vista.

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Para ouvidos entorpecidos por: Portishead, Locust, Microbunny

30.12.09

Rekevin

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Rekevin

Música: My Beleved Water

Disco:  A Peacock 2008

Irressístivel…

Royksopp

Royksopp                                                                                                                   Música:Aple                                                                                                               Disco:  Melody A.M.(2001)

Da noruega veio uma das primeiras obras primas da música eletrônica dessa década. Melody A.M (2001) é elegância jazzy com vertinegens ácidas kraftwerkianas, portishead chamando Bjork e Alpha para uma dança por vezes delirante por vezes relaxantemente entorpecedora.

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Para ouvidos entorpecidos por: The Field, Kraftwerk, Ellen Allien

29.12.09

Downbetando

 

Thievery Corporation                                                                               Música: 33 Degree                                                                                       Disco: Radio Retaliation-2008