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27.8.12

Bon Iver | For Emma, Forever Ago (2008)

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Bon Iver

 

Álbum: For Emma, Forever Ago (2008)

 

Para alguns,  o lado cinzento da existência humana é a inspiração necessária para uma arte essencialmente profunda e inspiradora, um discurso que brota do âmago amargo, trazendo à tona, reverberações íntimas atemporais. Alguns artistas possuem suas melhores obras nesses instantes abismais de puro transtorno mágico indefinível. “For Emma, Forever Ago” parece possuir a paisagem simetricamente densa dessa constatação em suas linhas vespertinas, de notas menores, de vocais por vezes imperceptíveis em meio à pântanos e descampados pós- solares, onde música e Memória – fusões infalíveis – se tocam sem pressa do retorno.

Como na canção de abertura  do álbum com “Flume” - “I move in water, shore to shore; Nothing's more”. Sintetizando uma das substâncias do trabalho, a sua materialização no ambiente, transformado num quase outonal resquícios de caminhos com turvas curvas e incompreensíveis chegadas.

“"Someway, baby, it's part of me, apart from me." É assim, fazendo parte de tratado, de uma roda de conversas silenciosa, com pequenas doses de saudades, reflexões lunares, fragmentos de mundos que gostaríamos de alcançar. mesmo já alcançando.

O Debut de Bon Iver é uma pérola achada debaixo das folhas de um lugar desconhecido, que resolvemos explorar com paciência, ao abrir suas pequenas verdades, nos deparamos com nós mesmo, num sublime encontro com uma parte do que somos em nossa infindável múltipla.

 

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Para ouvidos entorpecidos por: Chuvas calmas, inversos íntimos, poemas jamais mostrados, Elliot Smith, Jeff Buckley, Neil Young e cafés amargos.


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2.2.12

Sarah Jarosz - Follow Me Down (2011)

Há disco que traduzem um momento - como um poeta declamando um poema com a precisão que sua realidade sublime que o revelou - e tornam-se apaixonadamente parte de uma história que se faz no próprio presente do ouvir...

 

Sarah Jarosz

 

Disco- Follow Me Down (2011)

 

 “Follow me down, through the cotton fields"

O segundo percurso da texana Sarah Jarosz é uma pérola que merece ser ouvida e revivida e ficar ali – na cabeceria da cama, perto da janela, dialogando com o vento e os acontecimentos que o tempo traz.

A jovem lançou seu debut em 2009 - Song Up in Her Head – recebendo uma boa recepção e para o lançamento de Follow Me Down a multi-instrumentista enriqueceu a produção e destilou peças organicas ensolaradas em meio ao seu vocal miticamente crepuscular.

A voz, é um estudo a parte nesse trabalho: Sarah acrescenta longos períodos e prolongamentos mágicos, como na beleza irretocavel de “Here Nor There”. “My Muse” é outro grande destaque do trabalho: com pontuação de movimentos e dedilhados onde o vocal de Sarah parece mergulhar em nuvens gélidas preste a encontrar o épico voo solitário mas nao menos arrebatador. Ao contrário de algumas produções, o vocal não se coloca a frente da canção e sim dialoga em múltipla existencialidade com a instrumentação e isso é sentido logo na bela “Run Away”.

As influências para esse trabalho rendem oníricos momentos – daqueles onde olhar para as estrelas numa madrugada qualquer abriga um sentido intimamente perfeito – nesse sentido podemos ouvir construções melodicas de rara poesia como “Gypsy” com vocal lembrando grandes momentos de Cat power por exemplo. Aliás, as referencias não param por aí quando ouvimos as duas regravações, uma de “Ring Them Bells” de Bob Dylan e outra de “The Tourist”, faixa do clássico da Radiohead – Ok Computer – essa com solos de violinos saídos de outras galaxias com assitura do jovem Chris Thile e onde Sarah parece possuida pelas mais verdadeiras inspirações.

Follow Me Down mostra o vigor da moça em mostrar-se além dos velhos chavões dos refrões ou recriação de fórmulas consagradas, para alguns um “Folk contemporâneo” de alto nível para outros a certeza de um dos mais belos discos de 2011.

Para ouvidos entorpecidos por: Folks mágicos, Cat power, Bob Dylan, Radiohead, desvendar constelações, manhãs gloriosas, doces solidões.

 

20.9.11

Joni Mitchell - Blue

Joni Mitchell

 

Álbum – Blue (1971)

 

Há dias onde o desejo em comum em nosso espírito é do total desligamento do mundo, as cores solares parecem cinzas, as pessoas caminham e conversam diálogos que pra nós não há qualquer sentido, queremos quem amamos por perto, nosso trabalho matinal vira um sacrifício íntimo de alguém que sofre calado…É por isso que há disco que são como verdadeiros divãs, chá oníricos, violões e pianos que parecem traduzir a mais peculiar das solidões e “Blue” da musa Joni Mitchell é um desses discos.

O quarto trabalho da canadense é um dos melhores discos folks dos anos 70. O disco está envolvo em melancólicas peças introspectivas que fazem parte de uma reação que condiz com o momento que vivia Mitchell, depois de uma separação dolorosa, ela resolve compor como libertação da sua alma e assim nasce muitas das canções que seriam lançadas em Blue.

“Just before our love got lost you said

"I am as constant as a northern star."

A poesia do violão e piano junta-se ao vocal irresistível e tudo soma-se à poesia de versos saídos das mais profundas razões do coração e isso nos causa a comoção cara as mais belas canções, como “Little Green” “There'll be icicles and birthday clothes And sometimes there'll be sorrow”. Ou a beleza sublime de “My Old Man” onde o piano e o vocal rende passagem soberanas “My old man, He's a singer in the park, He's a walker in the rain,He's a dancer in the dark” numa interpretação que lagrima das percepções. A irretovacel “blue” é qualquer coisas que parece não haver adjetivos capazes de comportar suas imensidões, Mitchell é um oceano inacreditavel de si:

“Blue, songs are like tattoos

You know I've been to sea betore

Crown and anchor me

Or let me sail away”

“It's coming on Christmas,

And they're cutting down trees.

Putting up reindeer

And singing songs of joy and peace,

Oh, I wish I had a river I could skate away on.”

 

Conheci a música de Mitchell numa fria noite em São Paulo, véspera de ir para o show da minha vida, o show do Radiohead. Sua música havia me causando a sensação de atemporalidade que só as grandes obras possuem mas só agora resolvi escrever sobre essa obra de arte, onde nossos céu que por ventura pode estar cinza ou impenetrável parece se desmanchar quando um poesia encontra seu estado de tênue iluminação que vagará atravessando os tempos encontrando ouvidos e espíritos para si abrigar.

Para ouvidos entorpecidos por: Poesia viscerais, musicas que preencham, Folks classudos, noites frias, diários, pequenas gotas de vinho e mergulhar em si mesmo.


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15.7.11

Phil Selway - Familial

 

 

Philip Selway

Familial (2010)

“Acima do ruído do trânsito e brigas Você pode me ouvir?”


Com esse verso Philip James Selway abre seu delicado e intimista debut. O passeio pelo sublime universo de Familial, remete à momentos onde as memorias se deitam nas relvas e observam de longe – pelas janelas dos trens dos instantes – aqueles pensamentos livres de amarras onde existir fazia sentido pelo simples até de respirar. Simples como a natureza, essencial como estar com a família, brincadeiras e gestos de carinho que entrelaçam o amor, onde olhar para as pessoas é um mosaico repleto de significado e as feridas que por ventura pontuassem o tempo, seriam rastros de um percurso profundamente atemporal por si mesmo.

Para esse álbum, Phil recruta amigos e antigos parceiros, como Glenn Kotche e Pat Sansone dos Wilco, toca guitarra e canta de forma surpreendente, um vocal vulnerável, calmo, num disco acima de tudo sensível e fora das pressões do mundo atual. Phil ergue encantadores arranjos onde o silêncio é mais um instrumento que afaga nossos ouvidos sedentos por paz e harmonia, tão caros nos tempos modernos. Ouça e adormeça com bons sonhos nos próximos segundos.

“Me leve, me leve Durante a noite Mostre-me, mostre-me Prodígios e maravilhas”.

 

Para ouvidos entorpecidos por: Wilco, Neil Young, Neil Finn, família e amigos.

 

13.7.11

Jeff Buckley – Grace

 

Por: Andréia Loureiro

Jeff Buckley

 

Disco: Grace (1994)

 

Falar de Jeff Buckley após passados 14 anos de sua morte, talvez recaia num lugar comum. Ainda assim, o que se pretende fazer aqui é mais uma pequena e simples homenagem, mesmo estando ciente de que tudo o que se possa falar sobre a sua obra não seja capaz de expressar a beleza e a grandeza que elas imprimem.

Jeff Buckley, dono de uma voz singular, intenso, ousado, prolonga a voz até limites incomuns. O que dizer dos gritos dilacerantes? Demonstra grande domínio quando consegue usar falsetes com propriedade, como nenhum outro. Jeff emociona, toca fundo. Canta com a alma. Não dá pra ficar indiferente quando se ouve uma de suas músicas.

Apesar dos lançamentos póstumos, iremos nos ater ao único álbum lançado em vida, Grace, de 1994. Que é, sem dúvida, uma preciosidade, daquelas que poderiam ser guardada em caixinhas de jóias. Em um álbum curto, Jeff expressa a sua genialidade de maneira impressionante. As 10 faixas nos envolvem numa aura melancólica, formando um conjunto angustiante e ao mesmo tempo belo.

A matemática de Grace é mais fácil de ser equacionada, quando se compreende que é um álbum que fala, essencialmente, de amor, profundamente sentimental. Jeff nos mostra que viver não é fácil, amar não é fácil. Se ele vivenciou as adversidades de quem se propõe a enfrentar esse universo, não se sabe. Mas o fato é que as verdades das letras nos desconcertam.

Na primeira música Mojo Pin, Jeff começa sussurrando nos nossos ouvidos, os instrumentos apenas acompanham, a voz é o elemento central. Talvez seja a música em que ele demonstre o seu poder vocal em todas as variações... Ageless, ageless /

I'm there in your arms.

Grace vem na seqüência, em meio aos belos arranjos, a letra nos fala da morte, de quem se entrega a ela sem medo. Sentimos que é um despedida... Oh my love / And the rain is falling and i believe / My time has come / It reminds me of the pain / I might leave / Leave behind... Ficamos sem fôlego... Ah Jeff...

Last Goodbye é mais radiofônica, por ter sonoridade mais fácil de ser apreendida, embora seja dolorosamente triste. Foi o único hit do álbum. Fala da dor de quem ama pelo fim inevitável. Jeff canta… Kiss me, please, kiss me / But kiss me out of desire, babe, and not consolation / You know, it makes me so angry 'cause I know that in time / I'll only make you cry, this is our last goodbye… temos a consciência de que não há mais nada a ser feito.

O álbum possui três covers Lilac Wine, Hallelujah e Corpus Christi Carol, alguns críticos dizem que as músicas conseguem ser até melhores que as originais. Destaque para a etérea Corpus Christi Carol, onde Jeff nos eleva com as suas nuances vocais.

So Real é mais vigorosa, a sonoridade grunge torna a canção mais acessível. Jeff canta sobre amor e as temíveis ilusões... oh... that was so real.

Chegamos em Lover, you should’ve come over, balada extremamente linda e desconcertante, pela interpretação, pela letra. Nos deixa sem chão... Talvez eu seja jovem demais pra impedir que um bom amor dê errado/ Oh... meu amor, você deveria mudar de idéia/ Porque não é tarde demais...

Suspiramos...

Eternal Life, um grunge que soa despretensioso, sem o ser. Entre guitarras distorcidas Jeff, mais enraivecido, grita por respostas... There's no time for hatred, only questions/ What is love?/ Where is happiness?/ What is a life?/ Where is peace?/ When will I find the strength to bring me release?

Dream Brother finaliza o álbum. Jeff nos compreende... I hear your words and I know your pain. É uma música misteriosa, com mensagens ainda a serem desvendadas... Cause they're waiting for you like I waited for mine/ And nobody ever came.

Apesar de Grace não ter se tornado um grande sucesso comercial, foi um marco na música dos anos 90. Influenciou vários músicos como Thom Yorke, Elliot Smith, Chris Martin, sendo reverenciado, também, por outros renomados como Bob Dylan e Bono Vox.

O álbum pode ser melhor sentido quando se está ouvindo sozinho, sem resistências. São músicas feitas com a alma, para a alma. Acompanhado por arranjos magistrais, Jeff se entrega, consciente e confessional, como se sentisse intimamente as verdades impressas em cada letra.

Sem dúvida, Grace é uma obra-prima do rock.

A vida é apenas um sopro. Imprevisível também. Como saber o que nos espera amanhã? Nosso belo amigo desapareceu repentinamente nas águas do Wolf River, em maio de 1997.

Deixou um pequeno grande presente, para ser absorvido pelo espírito e guardado no coração.

Brindaremos com vinho em seu nome.

Thanks Jeff!

 

Para ouvidos entorpedidos por: Tim Buckley, Nick Drak, Thom Yorke, Leonardo Cohen, trovadores Solitários.

 

Andréia Loureiro: Arquiteta, tem a música como sua companheira, resenhista do Pontos Flutuantes e minha amiga.

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7.4.11

Isobel Campbel & Mark Lanegan – Hawk

Por: Andréia Loureiro

Isobel Campbel & Mark Lanegan

Disco: Hawk (2010)

Isobel Campbel & Mark Lanegan, componentes de um paradoxo, já há tempos cientes da equação perfeita, continuam com seu belo e inigualável dueto em Hawk, terceiro trabalho da dupla lançado em 2010. Sem amarras e leves, voam juntos pelo universo do blues, jazz, soul, folk e country. Canções apuradas e de qualidade que deixam transparecer o senso de quem sabe exatamente o que faz.

We die and See Beauty Reign, música inicial, soa melancólica e misteriosa: apenas os mais sensíveis serão convidados? Logo a aura é quebrada pela pegada blues de You Won’t Let Me Down Again, seguida pela charmosa Snake Song.

A doce Campbell sussurra através da voz dolorosa e rouca de Lanegan e o reconforta em Come Undone e na belíssima No Place to Fall. Hawk é o ponto alto, quebrando o ritmo, entra calorosa, debochada e visceral.

Em passeios solitários em Sunrise, To Hell & Back Again, Campbell faz lembrar a sonoridade branda do seu antigo grupo, Belle and Sebastian, demonstrando que a banda escocesa ainda deixa marcas, apenas marcas, a personalidade de Campbell suplanta. Aliás, é ela quem assina a maioria das composições.

A vibrante Lately, um soul com Lanegan acompanhado de entusiasmados vocais feminino, conclui este fascinante disco. Canções que tentam ser despretensiosas, mas que não enganam, estamos diante de mais um excelente trabalho - elaborado, maduro e desafiador.

Na capa do álbum, Campbell e Lanegan nos olham através do vidro embaçado do carro. Estão de partida. É um álbum para estrada, asfalto, terra, movimento. Quem irá acompanhá-los?

Para ouvidos entorpecidos por: Belle and Sebastian, Wilco, Neil Young

 

 

 

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9.8.10

Matéria/Nick Drake – Pink Moon

Por: Priscilla Santos

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É conhecida a história de que, em 1971, ao terminar de gravar o álbum Pink Moon, Nick Drake teria ido à gravadora Island Records e deixado as fitas mestras sobre a mesa de uma recepcionista sem dizer coisa alguma a ninguém. O álbum ficou lá ignorado pelos dias até a semana seguinte, quando alguém o notou. Depois de lançado, venderia ainda menos que o pouco vendido disco anterior, e isso Drake não podia suportar.

Não é possível compreender Pink Moon sem visitar os tortuosos caminhos que levaram seu artista até ali. Em 1970, Chris Blackwell, dono e fundador da Island Record, bem como todos os demais executivos envolvidos, estavam certos de que Nick iria lançar-se com o mínimo de esforço na promoção do álbum anterior, o Bryter Layter, que parecia promissor. Mas, ao invés disso, no inverno, o jovem inglês resolveu isolar-se em Londres; recusava-se simplesmente. A má recepção que público e crítica deram ao disco, certamente contribuíram para que, a esse isolamento, se juntasse uma exorbitante quantidade de maconha a que ele recorria urgentemente para poder fazer até pequenas apresentações sem compromisso. Exibia suas primeiras reações marcadamente psicóticas, queixava-se de insônia e estava cada vez mais deprimido.

Parece razoável imaginarmos os motivos que levaram Blackwell a emprestar sua casa de veraneio na Espanha para que Nick pudesse descansar e, talvez, voltar sentindo-se melhor. De fato, foi o que aconteceu e Nick não voltava apenas melhor, voltava com idéias de gravar um novo álbum. Mas a notícia já era um tanto inesperada para o executivo da gravadora porque, como arriscar-se a ter outro prejuízo? Mas, diante da insistência, a Island Records se comprometeu a lançar mais um álbum.

Nick Drake gravara Pink Moon em dois dias - duas sessões à meia noite em Outubro de 1971 - somente em sua própria companhia: composições, voz, instrumento, engenharia... O violão, primordialmente, e um piano que paira sobre uma única faixa. O engenheiro de som John Wood, que havia trabalhado com Nick nos álbuns anteriores, conta que “ele, definitivamente queria ser ele mesmo mais do que tudo. E pensou, do mesmo modo, que Pink Moon fosse mais Nick Drake do que os outros dois discos". Mas, ainda que recebesse crítica favorável da mídia, Pink Moon conseguiu vender tanto menos que os álbuns predecessores. Connor McKnight, da Zigzag Magazine escreveu: Nick Drake é um artista que nunca finge. O disco não faz concessões à teoria de que a musica deve ser uma forma de escape. É simplesmente a visão de um músico sobre a vida em seu tempo, e não se pode pedir por mais que isso. A ilustração da capa ficou por conta do namorado de sua irmã Gabrielle, Michael Trevithick.

O álbum passa como um caminhar onírico pela beleza da miséria, dum pessimismo bem desenhado e de melodias agoniantemente tranqüilas. A faixa título é das mais doces que se pode ouvir e os fãs são uníssonos em elegê-la como favorita. Seguindo sempre o mesmo ritmo intimista do formato folk, voz e violão em canções curtas, Drake exprimiu seu momento triste sem soar piegas ou exagerado. Há os tons ácidos como em Things Behind the Sun e Pink Moon, outros nostálgicos e reflexivos como em Place to Be, contemplativos como em Road e Parasite. Também há, como nunca se pode deixar de haver, amores e dúvidas do amar, como em Which Will. A última faixa redentora: From the Morning.

Mais uma vez, a promoção que deveria ter se seguido ao lançamento do álbum, não ocorreu. O músico se tornava ainda mais introspectivo e se apresentava nos concertos sempre de cabeça baixa, alguns relatam que ele tornara-se incapaz de fazer contato visual. Resolveu num repente retirar-se de música, dizia-se incapaz de escrever e passou a considerar uma carreira na área de computação ou como um indiferente no exército.

Dois anos e mais um álbum de pequena expressão depois, no 25 de Novembro, Drake estaria morto em sua casa, em Far Leys, após uma overdose de antidepressivos.

O álbum só obteve êxito após à morte de seu criador. Em 2003 a Volkswagen usou a música título num de seus comerciais americanos e o que se seguiu foi uma grande procura pelo disco que havia sido remasterizado. Três anos depois, Pink Moon figurou em 320º lugar numa lista da Rolling Stone que elegeu os 500 maiores discos de todos os tempos. Ultimamente, têm circulado na Internet vídeos, como este abaixo, reunindo imagens de Nick Drake que, muito delicadamente, justapõem-se com algumas canções.

Matéria encontrada em> obvious

4.8.10

Radiohead – The Bends

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Radiohead

Disco: The Bends (1995)

Amigos imaginários povoam nossas vidas desdos tempos de infância e preenche nosso mundo com o universo único do sonho. Depois crescemos, adquirimos a responsabilidade e os pesos do mundo e algumas coisas se perdem, mas outras permanecem intactas sobre outras formas. Papel fundamental da arte e uma das suas vocações. Espreguiça-se dentro de nós, empurrando a inércia para o lado de fora, trazendo luz aos sentimentos e desatrelando nós de qualquer vazio. Mesmo que essa seja espelho do próprio artista e de sua obra mesmo que essa seja vasta e infinita. E esse papel de "amigo imaginário" é o papel que The Bends tem pra mim. Do primeiro e crucial mergulho até o âmago do que somos e ao avançar da profundidade a certeza...

Quem somos?

Um vento surge dos meandros do silêncio e se fragmenta em pequenos organismos que aos poucos vão reconhecendo um o outro e formando a textura de "Planet Telex". As distorções da guitarra misturam-se ao sublime canto desolador de Thom. Ele dobra-se, espreme-se pelos compartimentos de uma canção urgente e sublime não menos de alma quebrada. Se o mergulho está cada vez mais fundo, a faixa-título "The Bends" é o atestado de alguém perdido nas próprias poças imensas da profundidade. Para onde iremos? Canção irretocável. Texturas de guitarras estremecem vocais trovadores e tudo se acalma num violão desencarnado. O pessimismo toma conta até das mais sensíveis das verdades e a canção se eterniza erguendo a constatação de um abismo.

Se a urgência de uma alma febril pontua a textura das duas primeiras canções, Phil Selway pede calma e abre a sublime "High and Dry". O violão “Automatic for peopleano” pontua uma das mais belas canções da nossa geração. A certeza que estamos indo cada vez mais fundo e pior do que nunca e que isso parece sem volta. Não só não conseguimos mais controlar as coisas como elas controlaram e moldam o que almejávamos ser. O que almejávamos? ao olhar para trás o silêncio seria a melhor das respostas.

E depois de sentarmos num canto contemplamos a efemidade e a passagem das horas sob a dilacedora melodia pontiaguda de "fake Plastic Treens". Se as cores começam a desbotar e já não temos mais certeza do caminho, tudo começa a ruir e o sentido é deixado em alguma esquina. O violão rasga a pele da canção, Sem dúvida uma das mais belas de todos os tempos.

Sentimos isso nos ossos e até quando disfarçaremos? "Bones" é áspera e aponta em nossa cara. Escancara no meio da multidão dos nossos sentidos o desconhecido que nos tornamos e agride a ferida num ato desesperador de mescla de medo e otimismo encarnado. Quando vamos voltar a sentir? As guitarras erguem as paredes para depois desabá-las. E nós, Peter pans envelhecidos despencamos na cama em lágrimas e soluços.

Ainda temos força para um sonho bom? "Nice Dream" é a própria beleza radiohediana em forma de esperança desolada em algum horizonte sem horizonte. O violão choca-se com pequenas construções de piano e solo erguendo uma nuvem acima das nossas cabeças. Se olharmos bem, são os sonhos bons que nos movem além de nós mesmo.

A queda contínua, apos um momentâneo esquecimento é retomada na dissonantemente instigante "Just". O violão é soterrado pelos braços de guitarras que transbordam por todos os poros. Canção amarga que te joga pelas goelas e vamos capotando em solo desconcertante e vocal que te olha nos olhos, antes de te vomitar.

O mergulho parece deixar dormente até a alma mais perturbada e isso é descrito no hino "My Iron Lung". O diálogo entre as guitarras parece verdadeiras óperas ouvidas no fundo do oceano. A fé que abandona a falta até da própria dor, a ânsia para não cair nos sonos das meras lamentações juvenis e ali ficar, como alguém que sucumbe na própria poça de sangue permeia o pulmão de ferro da melodia.

Mistura de aspereza e sublimidade que deságua nos recifes e plana ao lado das algas de "Bullet Proof..I Wish I Was".

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O violão de volta a ordem vaga pelas embarcações das nossas memórias e olhamos apenas o movimento das coisas que vão e vem... Disposto a sentir até as útimas conseqüências, até o último suspiro, disposto a voltar, mesmo que para isso haja dor, voltar, voltar a sentir a si mesmo. E isso se entrelaça numa canção rara.

Se nosso mergulho íntimo é invisível aos olhos do mundo "Black star" surge de um crescente silêncio e como alguém devorado por mil ratos por dentro e todo colado por fora se perde em contemplações e sem poder explicar realmente os acontecimentos exaspera-se em desculpas que lembram os grandes poetas malditos e suas incompreensíveis e líricas verdades atemporais e dramaticas. E essas verdades formam e moldam aquilo que somos mesmo sendo apenas e, sobretudo para nós mesmos.

E essa espécie de constatação daquilo que não volta mais, se forma na beleza dramática de "Sulk" e se dilata como uma ferida exposta na última obra prima da obra. "street spirit". A dedilhação toca as mãos dos anjos da melodia e o vocal se encarrega de nos fazer voar nas imensidões de volta do mar, intenso e imenso mar do que acreditamos que somos. Para Yorke uma canção que o atinge e o consome e se formos pensar bem... Como ela nos atinge! A volta das profundidades mais inconfessáveis revela confissões silenciosas. O mundo. Como traduzir o mundo? Nós? Sonhadores? Toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor realmente? Todas as coisas que nos fazem desaparecer, todas as coisas posicionadas, tudo no seu devido lugar? Como desaparecer completamente? Arvores de plásticos? Num limbo? Flutuando para a Lua? Num rio de olhos negros?...Somos os espíritos das ruas. Das ruas de nós mesmo e do mundo. E para onde correr? A última mensagem dessa obra de arte chamada de The Bends - segunda obra desses meninos e sua primeira obra inesquecível é -

…Afunde sua alma em amor...

E nós, silenciamos com as lágrimas do sentir. A verdadeira razão desse disco, sentir!

Até a última gota de cada segundo... Sentir!

Como diz o poeta Fernando Pessoa:

“Sentir tudo Interminavelmente”.

Então voltemos e mergulhamos de novo e sempre à esse amigo imaginário – aquele que te ouve e te entende em forma disco.

Doze manisfestos que permanecem intocáveis em nossos corações.

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Para ouvidos entorpecidos por: R.e.m, Joy Division, Jeff Buckley

13.7.10

Neil Young - Harvest

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Neil Young

Disco:  Harvest (1972)

“Acho que vou fazer as malas e comprar uma perua
Levar para Los Angeles
Encontrar um lugar para chamar de meu e me adaptar
Começar um novo dia”

Com esses versos Neil Young inicia o passeio pelas estradas dos nossos ouvidos em um dos mais aclamados e belos discos de todos os tempos, Harvest. Quarto disco do canadense, o album veio rechado de particiapações como a London Symphony Orchestra e figuras míticas como James Taylon. Canções beats como "Alabama" ou a beleza nostágica de “Old Man” são exemplos de canções irretocáveis que cravam em nossos corações e não fogem mais.

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Capa

Para ouvidos entorpecidos por: Johnny Cash , Crosby, Stills, Nash & Young, Joni Mitchell.

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29.6.10

Legião Urbana - V

 

Legião Urbana

Disco: V (1991)

"...Tudo passa...tudo passará..."

Trovadores solitários surgem vindas das profundezas da poesia e presenteiam a música, levando essa entidade sagrada até as bordas divinas, em tempos em tempos.

Quando lançou seu quinto disco em 1991 a Legião Urbana já era um grupo consagrado. Suas canções já embalavam a geração e passeavam pelas rádios brasileiras de mãos dadas como hits pegajosos nos ouvidos dos juvenis lobsomens. Mas "V" mostrou o equilibrio perfeito entre a poesia de Renato e a musicalidade que vai além das belas melodias e sim erguendo peças poéticas sonicas até hoje atemporais.

Desdo petardo de pouco mais de onze minutos  "Metal contra as nuvens" com letra que sangra nossas percepções ou pela experiência flutuante de "Montanha mágica" onde somos levados até as altas torres numa das canções mais irretocáveis de toda a a legião. Canção que termina na beira do mar onde contemplamos nossa própria solidão. Como se não bastasse o grupo alinha mais uma obra de arte "Teatro dos Vampiros" que vai deslizando com letra ácida, quase raivosa tão profundamente desacreditada tão profundamente confessional. O disco vai se perpetuando obrigatório com a lagrimejante "Vento no litoral" onde nos afogamos depois de mergulhar nossa alma em indivisíveis mémorias que roçam nossos rostos contemplativos e vamos vagando procurando as pegadas pelos litorais daquilo que jamais conseguimos ser, numa das canção mais belas já criadas em todos os tempos.

Gravado em meio a dependência química de Renato e a descoberta de uma doença,  V é um disco de uma banda madura, que arrisca pequenas experimentações e pérolas sensíveis como a delicadeza cotidiana de  "O mundo anda tão complicado" e o sublime final ao piano com "Come Share My Life". Mas tudo parece envolvivo num sentido de solidão e perda, talvez a perda de si mesmo e da poesia das coisas que foram vivida.  Nas mais improváveis relvas de sonhos que já nem sonhavamos mais alcançar. V é uma peça de rara beleza que permenace intacta e que jamais passará.

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Para ouvidos entorpecidos por: Joy Division, The Smith, Nick Drak

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Elliot Smith - Either Or

Elliot Smith

Disco: Either Or (1997)

Em 21 de Outubro de 2003 o mundo da música perderia um dos seus grandes compositores contemporâneo. Enfiando uma faca no peito, um viajante solitário, com seu violão dilacerante, capaz de nos arrebatar com suas melodias lagrimejantes, partiria não só a si mesmo, mas a nós como um todo. Steven Paul Smith, ou melhor, Elliot Smith, o "Bob Dylan da década de 90".

O Americano de Portland lançaria em 1994 o seu primeiro disco “Roman Candle” e deixou cinco belos álbuns recheados de texturas melancolicamente poéticas baseada em sua voz inconfundivelmente frágil e seu violão sussurrante.


Em 1997 lançaria uma de suas grandes obras prima o soturno Either Or. E no mesmo ano concorreria ao Oscar como melhor canção incluída no filme Gênio Indomável com a musica Mss Misery.

Either Or possui toda a gama de texturizaçoes folks de Elliot, um álbum minimalista onde Elliot mostra que precisa de pouco para emocionar. Como Speed Trids que adentra-nos com seu violão constante e o poeta cantando em tom sublimemente grave quase como se fosse um grande segredo que poucos podem saber, confessa:  "estou correndo distancias permanecendo parado, correndo distancias permanecendo parado" em Alameda ouvimos ao longe uma pequena vocalização uivante e Elliot falando sobre alguém que através dos seus erros partiu o seu próprio coração, a beleza dos dedilhados mistura-se ao ambiente entrecortante da voz: "ninguém partiu o teu coração você o próprio partiu" já em Between The Bars um violão saído do limbo mais assustador de algum poeta arrebata-nos pela carga de melancolia delicadamente bem dosada e Elliot nos convidando "Beba comigo agora e esqueça toda a pressão do dia" síntese de toda a sinceridade melódica Elliot  que ainda confessa "beba mais uma vez e eu vou te fazer minha e a manterei profundamente no meu coração" uma das grandes pérolas de toda a sua discografia.

Either Or vai avançando e Elliot canta dispersamente dentro de profundidades agonizantes em No Name #5 o violão indiscuitivalmente Elliotiano rasga-se de tristezas e memórias dilacerantes e como diz o poeta "tive um segundo só com a chance que deixei passar e no fim tudo se foi..." certo equilíbrio intimo é momentaneamente restaurado em Rose Parade, as frases de violão são cúmplices de um Elliot que machuca pela sinceridade visceral de sua voz, cordas e versos "...e quando limparem as ruas eu serei o único lixo deixado para trás". Angeles é sem duvida uma das grandes canções da década de 90. Os dedilhados de violão paracem sair do âmago de toda a profundidade do mundo e Elliot canta confessionalmente sobre o anjo que tentamos encontrar em cada uma de nossas vidas como consolo para nossa alma. Either Or vai encerrando sua jornada como um álbum perfeito para instantes intropesctivamente frágeis, detalhes sendo consumidos e corações sendo escavados e corações rasgados como feridas expostas pela noite, memórias como: "Rachaduras ocultas que não se revelam mas que constantemente se alargam". Em Say Yes, Elliot tossi e guarda certo silêncio e com calma vai nos entregado sua última pérola. Entre um violão apaixonante e uma melodia feita de nuvens embaladas pela voz que hoje deve estar ao lado de Jeff Buckley, Nick Drak e Renato Russo num lugar sublime assim como sua musica, "Fui mandado embora e nunca mais retornarei " só em nossas almas como que "Procurando pelos braços de alguém para mandar para longe as feridas do passado" esse foi e é o eterno Elliot Smith.

“Anjos, me respondam, Vocês estarão por perto se a chuva cair?”

Para ouvidos entorpecidos por: Tim Buckley, Jeff Buckley, Cat Stevens

 

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22.6.10

Tim Buckley - Dream letter

Tim Buckley

Disco: dream letter (1968)

Tim Buckley foi como um pássaro que levou as melodias pelos caminhos sublimes da eternidade. Suas canções transbordam pétalas pelos caminhos dos nossos ouvidos envolvidos com suas melodias vindas das imensidões angelicais não menos sofridas não menos inesquecíveis. Dream Letter gravado no Queen Elizabeth Hall , em Londres em 1968 é um registro ao vivo que traz a voz – peça única – de Tim em momento confessional no calor sublime fora dos estúdios. Lançado algum tempo depois, o pequeno monolito traz faixas que se tornariam clássicas no fabuloso Happy Sad como a genialmente viciante “Buzzin' Fly” e faixas do seu segundo disco Goodbye and Hello. Um disco obrigatório para se viciar na poesia de um grande trovador.

DreamLetterLive

 

Para ouvidos entorpecidos por: Leonardo Cohen, Nick drak, Bruce Springsteen de “'Nebraska”

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26.3.10

Emiliana Torrini

 

Emiliana Torrin

Disco: Fisherman's Woman (2006)

 

Depois de lançar um debut com pés fincados numa forte referência a Bjork,A Slandesa Emiliana Torrini não chamaria muita atenção, além de uma participaçãona trilha sonora do Senhor dos Aneis.Mas em 2006 ela reivanta seu som e trazuma das pérolas dos anos 00.Um sopro sublimes nos ouvidos dos amantes de um som calmamente sudutor,sereno como a madrugada, esperançoso como a manhã.As vezes, tempestuoso como uma tarde chuvosa e delicado como a chegada da noite.Fisherman's Woman respira a voz de uma poetisa pelos campos verdejantes dos sonhos - Esse às vezes angustiadamente sufocantes - e se nutre do violão folk em notas  embrulhadas numa pedaço de estrela no berço de alguma galáxia. Disco como uma verdadeira caixinha de música, que você teimava e não abrir, empoeirda debaixa da cama, que num dia de sublimação e silêncio, onde sentimentos pairam e pousam nas memorias e se diluem na passagem das horas, você abre e ele entrelaça-se em raro num perfeito casamento entre o som da alma e a alma da melodia.

 

Para ouvidos entorpecidos por: Cat Power, Joni Mitchil, Emily Haines