31.8.12
19.8.11
Os Mundi - Latin Mass (1970)
Por: Luiz Feijão
Os Mundi
Disco - Latin Mass (1970)
Os Mundi foi uma daquelas bandas meio desconhecidas do Krautrock que habitava a legendária cena de Berlin do início dos anos 70.
Seu primeiro álbum, lançado em 1970, é uma preciosidade. Inteiramente cantado em latim, o disco entrelaça hinos religiosos católicos com uma batida dark psicodélica sem igual. Em alguns momentos, a impressão que se tem é que a música é realmente um canto religioso, porém a harmonia dos instrumentos é tão bem feita que traz a psicodélica de forma a não exibir agressividade na variação temática.
O álbum possui sete faixas, todas elas ligadas entre si e que transmitem a idéia de uma missa. Desde a abertura psicodélica, que introduz um órgão obscuro sintetizado a la fuga de Bach com uma guitarra quebrando o ritmo fúnebre, passando pelas faixas de canto até a última Agnus Dei, que encerra o ritual com uma devoção ao cordeiro de Deus, não perdemos o Krautrock que nos é mostrado em mais uma de suas incríveis facetas.
Bem, esta foi minha primeira (e pequena) resenha. Espero poder compartilhar muito mais e também disponibilizar o material para todos.
Abraços.
Para ouvidos entorpecidos por: Tarot, Pyramid, Popol Vuh, rituais secretos, sincretismo psicodélico.
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Luiz Feijão: Pesquisador de música (fã de krautrock); arte urbana e intervenções, mora em São Paulo, musico nas horas vagas, colaborador do blog Pontos Flutuantes.
6.8.11
Kluster - Klopfzeichen
Kluster
Disco – Klopfzeichen (1970)
O krautrock parece que não encontra até os nossos dias limites para suas combinações ácidas de esquizofrênicos arranjos, moléculas de melodias saídas das mentes aliens desses alemães atemporais. E fica notório em Klopfzeichen; disco de estréia do Kluster; que eles estavam realmente no limiar de uma música singular; jamais reproduzível e incopiavel, que só o legado do krautrock possui.
As camadas experimentais do trio que tinha ninguém menos que Conrad Schnitzler um dos membros dos míticos Tangerina Dream; mostra que peças atonais, horizontais paisagens sonoras sem melodia se abriam como feixes vagando pelas espaço e reinventando as leis da matemática estrutural das canções.
Um disco de atmosfera ímpar, divido em duas faixas, uma espécie de oração eletrônica feita numa pirâmide em algum lugar do espaço. As colagens percussivas com texturas de metais incomuns e vozes simétricas (em alemão) declamadas e não cantadas se esculpem subindo as paredes dos nossos ouvidos, experimente deixar a luz apagada e deixe-se ser possuído pelos anjos-cogumelos de um dos discos e grupos mais fundamentais para se entender porque o krautrock é até hoje; paradoxalmente; a mais pura vanguarda.
Para ouvidos entorpecidos por: Stockhausen, Amon Dull, Faust, Tangerina Dream, Sun Ra, quartos escuros, velas, sarais obscuros com vinhos, Kafka e contos fantásticos.
26.7.11
Drums Off Chaos & Jens-Uwe Beyer - Drums Off Chaos & Jens-Uwe Beyer [2011]
Drums Off Chaos & Jens-Uwe Beyer
Disco: Drums Off Chaos & Jens-Uwe Beyer [2011]
O Can foi uma entidade no rock progressivo alemão e uma referencia para toda a psicodelia dos anos 70. Seu discos ácidos e clássicos chaparam nossos ouvidos com percepções além da realidade visível. Com o desmembramento do grupo em finais dos anos setenta, seus integrantes montaram projetos e um deles (Jaki Liebezeit) flui com seu tribalismo psicótico em Drums Off Chaos & Jens-Uwe Beyer.
O disco abre como se uma sonda adentrasse estranhas camadas de poeira e aos poucos firmasse no chão desconhecido suas coletas de sons inóspitos. O krautrock é revivido com ambientação e delírio em doses experimentais fantasmagóricas.
Primeiro registro consistente do batera, apesar da formação oitentista, ainda soa moderno e atual seu psicodelismo, percussões e ambientes que fizeram da sua antiga banda um documento. Mais um registro a nos fazer conhecer..,Outras Galáxias.
Para ouvidos entorpecidos por: Can, Popol Vuh, Tangerina Dream, ácidos e cogumelos.
20.7.11
Kollektiv - SWF-Sessions Vol. 5 (1973)
Kollektiv
Disco - SWF-Sessions Vol. 5 (1973)
Mais uma banda alemã para fritar o cerebro, mais uma banda de kraut agindo como propulsores nos levando ao desconhecido.
Kollektiv - SWF-Sessions Vol. 5 mostra guitarras como radios transmisorres dialogando com outras galaxias enquanto flautas ácidas se debatem pelos becos de uma Berlim suja e impenetrável.
É esse cenário por onde as guitarras - gemendo como artefacto indecrifraveis – como na sobriedade chapada de “Subo” ou a opera alien “Mollzitter”; nos convida para adentrarmos um cubo de possibilidades ensurdecedoras, que redimensiona a percepção do real.
Com Klaus flauta / saxofone & Dapper - Jürgen Havix / guitarra e cítara - Jürgen (Jogi) Karpenkiel / bass - Walemar (Waldo) Karpenkiel / bateria.
Para ouvidos entorpecidos por: Rufus Zuphall, DIES_IRAE, Tangerina Dream, Can, ácidos.
8.7.11
Jan Jelinek - kosmischer pitch (2005)
Jan Jelinek
Kosmischer Pitch (2005)
“universal band silhouette” chega lentamente, como num cerimonial hipnótico cyborg que vai se fragmentando em organismos mórbidos não menos fascinantes. Assim abre o sintético vasto universo krautrockano ou como Jan Jelinek gosta de divagar, seu techno minimalista centrado na lisergia dosada em atmosféricas densas e inimagináveis.
Mergulhar nos oito monólitos indecifráveis se reveste numa empolgação magica, como se tivesse encontrado um estranho e intrigante brinquedo que por alguma razão, você sente que faz parte do universo dele e ele do seu. Jan jelinek - kosmischer pitch é como se achar as asas de alguma nave espacial num canto qualquer ou excêntricas inscrições que você jura que não são desse mundo. Um absurdo sonoro raro, uma peça que se metamorfoseia em partituras ilegíveis vinda do futuro, onde a anti-matéria é desenhada nas claves softwerianas com maestria. O krautrock nunca morreu, ele tem seu mais profícuo e indomável legado, o techno.
Para ouvidos entorpecidos por: The Cosmic Jokers, Tangerina Dream, Popol Vuh, Kraftwerk, Flying Lotus.
17.6.11
Kreidler - Tank [2011]
Kreidler
Tank [2011]
O obscuro e hipnótico krautrock, anos 2000, está de volta a ordem com os alemães do Kreidler e seu artefacto pontiagudo Tank [2011]. Recriando uma Berlim esfumaçada e tensa, o ambiente de um passeio por rodovias que flutuam em nossas memórias que aos pouco começa a sentir o devaneio, oxigena as percepções da realidade. A frieza dos tambores iluminados por goles de sintetizadores, que como gotas no oceano, misturam-se a atmosfera rígida traga-nos para um novo ângulo do espaço em sublimes simetrias para uma manhã urbana. um disco onde se faz evidente o legado dos míticos krautrocks.
Para ouvidos entorpecidos por: Neu, Kraftwerk,Tangerine Dream
27.4.11
Popol Vuh - 1971 - In den Gärten Pharaos
Conhecer o universo supersônico dos Popol Vuh é sentir a experiência de viajar aos limites da galáxia, guiados por doses de xamanismos, bebidas sinestésicas, rituais cosmogônicos herméticos, onde a deusa – a música - é reverenciada e a gravidade é so um nome anos luz da realidade.
Órgão de igreja misturados aos míticos sintetizadores moog e percussões ambiet formam as paisagens mantricas com cores celestiais ou mística, exótico aos nossos ouvidos contemporâneos. Os Vuh – mestres da música cósmica já mostrada no disco de estréia - navegam pelos pântanos e rios esquecidos em nossas memorias mais distantes.
Para navegamos com eles é preciso haver uma harmonização completa, um desdobramento pactual de metafisica em rara sensibilidade – não comum nos tempos atuais -para podermos adentrar no delicado e singular percurso da sua singularidade exótica.
Para alguns In den Gärten Pharaos (segunda viagem espacial dos alemães mais espectrais do kraut) inaugura o chamado “New Age”, mas acima disso, mostra que o krautrock foi muito além dos extremos sonoros possíveis, sua sonda atravessou as dimensões mais profundas e nos entrega (sempre que o obrigatoriamente o revisitamos) verdadeiras entidades sagradas da música no século XX.
In den Gärten Pharaos é arte em estado inigualável.
Para ouvidos entorpecidos por: Tangerina Dream, Klaus Shulze, Tarot
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10.4.11
Tangerina Dream - Eletrônico Meditation (1970)
Tangerine Dream
Disco: Electronic Meditation (1970)
Adentrar os circuitos futurísticos do inigualáveis Tangerina Dream é viajar no tempo e espaço anos a frente do presente. O mundo assustadoramente sintético, isso em 1970.
O poder desconstrutor dessa “meditação eletrônica” remete numa aflição surrealista num fundo metálico com gritos sobre as bordas. Os tons mais alucinantes e as cores vindas da guitarra-cogumelos de Froese, pintam um verdadeiro quadro abstrato onde ao ouvirmos, somos atraídos para as extremidades de um cyberspaço ainda desconhecido.
Percebemos a tecnologia feita em computadores cavernosos ainda na lenha da evoluções astronômicas, muito além da web e dos cyborganos mp3, aqui os Tangerina Dream são os senhores do futuro e nos entregam um documento teletransportado dentro da mente doentia dFroese, Klaus Schulze e Conrad Schnitzler.
O disco gravado ainda com os rudimentares recursos eletrônicos da época, numa fábrica nos becos de Berlim, onde o free jazz kraut com intensas doses cavalares de krautrokces nervosas reúne elementos para um clássico histórico do rock cósmico alemão.
Para ouvidos entorpecidos por: Klaus Sshuze, Karlhenize Stockhausen, Popol Vuh
8.4.11
6.4.11
Organisation/Kraftwerk - Tone Float
Kraftwerk
Disco - Tone Float (1970)
Se os kraftwerk são conhecidos e devidamente reconhecidos por sua contribuição inigualável para a vanguarda eletrônica - isso se expandindo até os nossos dias- foi sob o nome de “Organisation” que a fluidez eletrônica toma primeiro forma numa metafísica matemática assimétrica e descontínua, um disco notadamente krautrock. Construindo com uma destemida e soberba base orgânica, sinos, flautas e percussões sugerem o passeio por uma mundo lúdico, exótico, sem chão sonoro palpável, estamos tão distantes quanto nossos pensamentos mais indomáveis.
O Registro de 1970 é mais um achado monolítico nas cavernas coloridas com a intensa e singular criatividade krautrock. Os Kraftwerk nos anos que se seguiram, parece-me, ter virado as costas para sua própria artéria sonora primogênita krautrokana, mas Tone Float, parido num ano ácido para o kraut, é daqueles percursos que jamais esquecemos as paisagens sentidas com exaustão.
Para Ouvidos entorpecidos por: Klaus Shulze, Popul Vuh, Tangerina Dream
30.1.11
Can - Delay
Can
Can Delay (1968)
A música do espaço e ao mesmo tempo enraizanda na sociedade alemã pós segunda guerra e guiada por jovens dispostos ao desequilibrio, a recuperar a identidade de uma cultura, a fazer pura e simplesmente música começa a brotar nesse laboratorio chamado Delay, do mitologico CAN.
seria Malcolm Mooney uma borboleta? uma estrela? um delirio? Os can inauguram uma baderna delirante, ácida, como iria ser a cara do “kraut”. Cogulemos se materializam nos versos indesejaveis de um povo que usa a guitarra não pelo ego mas para gritar para que todos ouçam o impoderável. Deley é o disco perdido que nunca saiu, um tratato de célera, gemido, vertigen, baixo e guitarra vomitam passagens cheias de poças e merda, alcool e alucinogenia sonora, tudo que remonta uma bandaça, os senhores que ajudaram a denifir um dos movimentos musicais mais autenticos do Sec XX preparam o terreno cosmico para fincar a banderia da espontaneidade, onde a leia da natureza é a anarquia nos seus mais íntimos suspiros da alma.
Obra prima perdida nos báus da inconsciencia.
Para ouvidos entorpecidos por: Amon Dull, Faust, Gomorra
22.10.10
Matéria/Tangerine Dream & Schulze e Gerrard
Froese foi discípulo de Salvador Dali e seu maior interesse era a literatura, mas acabou enveredando pela psicodelia em meados dos anos 60 e formando o grupo Ones, que chegou a gravar um single antes de dar lugar ao Tangerine Dream… que faria a transição do som psicodélico para o progressivo, lançando em 70 o surpreendente álbum “Eletronic Meditations”, um trabalho radical onde a música resultava da comutação de sons através de efeitos eletrônicos… numa época em computadores eram coisa de ficção científica.
Aliás era bem isso que o Tangerine fazia, um som que parecia saído de um futuro anunciado… de um então distante séc. XXI, que acabaria sendo muito mais mundano do que todos nós havíamos esperado… uma árida realidade de frivolidades consumistas, extremismos religiosos, superpopulação, violências e devastação ambiental… uma distopia que a ficção científica também previu, mas que gostaríamos de ter podido evitar.
E o Tangerine Dream foi um dos grupos da sua geração que acompanhou essa trajetória, pois sua carreira atravessou as décadas… e ele continua entre nós, com tours constantes, CDs e DVDs ao vivo e um novo álbum de estúdio, “Views from a red train”, lançado no ano passado… mas nós selecionamos faixas de dois de seus trabalhos clássicos: “Alpha Centauri” de 71 e “Atem” de 73.
Vocês ouviram “Sunrise in the third system” e “Atem”, com o Tangerine Dream, um dos grandes sobreviventes do prog. germânico.
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A gente volta já…
E agora vamos continuar na família do Tangerine Dream, trazendo um lançamento que pegou todo mundo de surpresa no ano passado… a colaboração de Klaus Schulze com Lisa Gerrard do Dead Can Dance.
Com o nome inspirado em uma série de ficção científica da virada do século, o álbum duplo “Farscape” mostra uma parceria no mínimo improvável, mas com um resultado que é uma amálgama perfeita entre a sonoridade metafísica do velho Tangerine e o lado mais prog. do grupo de Lisa Gerrard… e não seria nada mal se o resultado fosse um novo grupo que poderia muito bem ser chamado de The Dead Can Dream…
Schulze foi um dos fundadores do Tangerine Dream, tendo depois saído para formar o Ash Ra Tempel… além de manter uma prolífica carreira, com inúmeros trabalhos solo, alguns em colaboração com figuras importantes do rock, como Steve Winwood e Arthur Brown… e até trilhas sonoras, como a do clássico pornográfico “Body Love” do diretor alemão Lasse Braun, de 76.

E Lisa Gerrard começou sua carreira solo em 95 com o álbum “The Mirror Pool”, e tem mantido um trabalho respeitado, embora sem o mesmo impacto dos seus tempos com o Dead Can Dance… que se separou em 1998, apesar de ter se reunido brevemente para uma tour em 2005… além dos discos solo, Lisa tem muitas colaborações com outros músicos, e ela aceitou na hora o convite para gravar o álbum “Farscape”… uma viagem sonora do velho Klaus Schulze…
Vocês ouviram “Liquid Coincidence (part 3)”, com o Dead Can Dream… ou melhor, com Klaus Schulze & Lisa Gerrard.
Art Rock fica por aqui… obrigado pela audiência, tenham uma boa noite e continuem com a Paraná Educativa… 97,1.
Visite o Blog do Art Rock em http://artrock.wordpress.com, que é administrado pela nossa querida amiga Ana Barbara Vicentin… lá você vai poder fazer downloads do conteúdo do programa e deixar o seu recado… e até a semana que vem.”
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Set list:
TANGERINE DREAM
BG – FLY AND COLLISION OF COMAS SOLA
1. SUNRISE AT THE THIRD SYSTEM – 4:22
2. ATEM – 20:28
BG – CIRCULATION OF EVENTS
TOTAL – 24:50
SCHULZE & GERRARD
BG – LIQUID COINCIDENCE (PART 1)
3. LIQUID COINCIDENCE (PART 3) – 25:54
BG – LIQUID COINCIDENCE (PART 2)
TOTAL – 25:54
GRAND TOTAL – 50:44
Matéria Original em > Art rock
15.9.10
Nosferatu
Nosferatu
Disco: Nosfetaru (1970)
1970 é um dos pontos altos do Krautrock. Can e os semi deuses da psicodelia alemã destilaram sobre os ouvidos tratados sonoros pertubadores, teis ácidas lisergicas de anarquia extra corporea com doses de subconsciência. Arregahandando nossas percepções muito além Nosfetaru representa bem esse espirito anarco- dadaista do krautrock com doses de rock hipnotico e piscodelia nervosa.
Capa
Byally Braumann (bateria)
Christian Felke (sax, flauta)
Reinhard Grohé (órgão)
Michael Kessler (baixo)
Michael Meixner (guitarras)
e Michael Thierfelder (vocal).
Para ouvidos entorpecidos por: Guru Guru, Pyramid, Embryo
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6.9.10
Matéria/Tarot
Por Carlos Nishimiya
Este projeto “Tarot”, do totalmente desconhecido Walter Wegmüller, é um dos maiores discos lançados da época de ouro do krautrock. Walter era, na verdade, um grande pintor e artista plástico suíço, místico, figura carimbada e agent provocateur, mas sem nenhuma experiência anterior ou posterior com música. Walter era amigo de Timothy Leary, do poeta Sergius Golowin e do influente artista plástico H.R. Giger (famoso pelo visual do filme “Alien”).
Aparentemente foi o guru do LSD Timothy Leary quem teve a idéia de sugerir a Walter fazer um disco conceitual, baseado nos desenhos num set de cartas de tarô que Walter fez entre os anos de 1968 e 1973.
“Tarot” saiu em 1973 pelo selo Die Kosmischen Kuriere em LP duplo, numa embalagem elaboradíssima, com um encarte com as 22 cartas dos arcanos maiores e mais 12 outros encartes menores com fotos dos músicos e outras informações.
Os músicos que acompanham Walter Wegmüller nesta jornada mística e espiritual é um verdadeiro who’s who do rock alemão. Coletivamente eram conhecidos como The Cosmic Jokers e lançavam seus discos pelo selo Die Kosmische Musik, um sub-selo criado por Rolf-Ulrich Kaiser, dono do famoso selo Ohr, na época uma das maiores gravadoras underground alemãs.
Dentre os músicos estavam: Harald Grosskopf (bateria), Jerry Berkers (baixo, guitarra) e Jürgen Dollase (teclados, especialmente piano), todos do Wallenstein; Manuel Göttsching (guitarra, também do Ash Ra Tempel), Walter Westrupp (metade do duo Witthüser & Westrupp), Harmut Enke (guitarra, baixo, Ash Ra Tempel), Klaus Schulze (teclados, ex-Tangerine Dream, Ash Ra Tempel e muito mais famoso depois pela sua carreira solo).
Todos esses super músicos foram reunidos em jam sessions por Rolf-Ulrich Kaiser, que gravava tudo que eles tocavam, sessões estas regadas a muito ácido e outros alteradores da consciência.
Walter Wegmüller canta, ou melhor declama seus textos (em alemão) por cima das improvisações, que são espetaculares, estilisticamente variando de canções com toques folk, climas eletrônicos, acid rock freak-outs, mantras orientais, uma explosão de criatividade não esperada de músicos chapados (ou não).
Mas Walter é o guia aqui, nos levando por uma jornada que passa por cada uma das cartas do tarô, abrindo o disco com a faixa de número 0 (bizarramente o disco traz as faixas numeradas a partir do zero), “Derr Narr”, que traz uma apresentação (em inglês) de cada um dos músicos.
As letras em alemão não importam muito para degustar o disco. Existe uma história no encarte que explica por cima do que se trata, mas o que realmente importa em “Tarot” é a música.
Em seguida “Der Magier” (o Mágico) traz o som característico do Tangerine Dream e Klaus Schulze, com uma avalanche de sons eletrônicos, principalmente mellotron e sintetizadores guiado pelo drive da cozinha de baixo e bateria do Wallenstein.
As outras estrelas no disco são, sem dúvida, Manoel Göttsching, com seus soberbos solos de guitarra e também Klaus Schulze, que está sempre presente tanto com seus climas ao Mellotron como com os estridentes sons dos seus sintetizadores. Não existe crédito individual de composição nas faixas. São todas creditadas a todos os envolvidos, mas é claro pela audição que alguns foram muito mais responsáveis que outros, Klaus e Manoel, entre eles.
Algumas das minhas faixas favoritas são “Die Prüfung”, que abre o segundo CD, com uma sonoridade tão moderna que poderia ser o trabalho de uma banda como o Stereolab. A parte percussiva parece um beat de bateria eletrônica, fazendo uma base perfeita para as viagens sonoras, repletas de efeitos, providenciadas por Klaus Schulze.
“Der Teufel”, com seus dois violões quase flamencos e solo de flauta, trazem um clima totalmente diferente, quase mediterrâneo.
“Die Zersörung” traz um tema quase erudito executado ao piano. Outros instrumentos se unem, um mellotron, cello, até que uma avalanche de ruídos e guitarras distorcidas trazem o tema ao seu fim.
A guitarra de Manoel Göttsching domina “Der Hohepriester” com seus solos ácidos. Quase vale pelo disco todo.
Os primeiros três lados do LP (ou seja, o primeiro CD e as primeiras cinco faixas do segundo CD) tem faixas bem distintas e separadas. O que seria o quarto lado do LP (as últimas cinco faixas do CD) são uma única suíte contínua, que lembra muito o trabalho de Manoel Göttsching e seu Ash Ra Tempel.
Inclusive o disco “Join Inn” do Ash Ra Tempel foi gravado por Göttsching, Klaus Schulze, Hartmut Enke (baixo) e Rosi Müller (vocais, convidada especial) durante as sessões para “Tarot”, enquanto os outros músicos não chegavam ao estúdio!
Rolf-Ulrich Kaiser fez uso extensivo das gravações que os Cosmic Jokers fizeram, aproveitando o máximo do que foi gravado, usando esse material para lançar três discos sem o conhecimento da própria banda.
A história completa do Cosmic Jokers e de Rolf-Ulrich Kaiser, etc. vale uma coluna no futuro.
Fiquemos aqui com o inesquecível disco que Wegmüller e esse incrível grupo de sessionmen alemães fizeram em 1973. Um marco do krautrock e um item indispensável para quem é fã do estilo.
Manuel Göttsching - guitarra
Hartmut Enke - guitarra
Jerry Berkers - baixo
Jürgen Dollase - teclado
Walter Westrupp , Klaus Schulze, Harald Großkopf - bateria
Lista de músicas :
Disco 1 ( 43:26 )
1. Der Narr (3:55)
2. Der Magier ( 04:38 )
3. Die Hohepriesterin (4:17)
4. Die Herrscherin ( 04:16 )
5. Der Herrscher ( 02:58 )
6. Der Hohepriester (3:10)
7. Die Entscheidung ( 03:51 )
8. Der Wagen (5:15)
9. Die Gerechtigkeit ( 03:01 )
10. Der Weise ( 04:01 )
11. Das Glucksrad (3:38)
12. Die Kraft ( 03:26 )
Disco 2 ( 41:34 )
13. Die Prüfung ( 04:56 )
14. Der Tod ( 01:19 )
15. Die Ma ? igkeit ( 04:47 )
16. Der Teufel (3:38)
17. Die Zerstörung ( 04:00 )
18. Die Sterne ( 06:14 )
19. Der Mond ( 02:50 )
20. Die Sonne ( 03:03 )
21. Das Gericht ( 02:06 )
22. Die Welt ( 08:41 )
Matéria original em>> portalrockpress
12.8.10
25.7.10
Mythos - Mythos
Mythos
Disco: Mythos (1972)
Mais uma banda underground oriunda de Berlim. Misturando psicodelia space rock com flautas flutuantes e subversão alienigena. Formada pelo vocalista e multi-instrumentista Stephan Kaske e o batera Thomas Hildebrand, "Mythos" é o debut dos garotos nervosos com seus krautrock que diáloga com ambientes desacordados, delírios rasantes sobre as superfícies oníricas dos nossos pensamentos. Conversa sobre horizontes soberbos entre o lado inconstante dos Amon Dull com a contemplação chapada de um Can. Faz de "Mythos" um petardo que crava que sulga a consciencia da realidade.
Capa
Para ouvidos entorpecidos por: Ammon Dull, Can, Gila
Link> Download (Download via progrockvintage )
24.7.10
30.6.10
Ash Ra Tempel - Schwingungen
Ash Ra Tempel
Disco: Schwingungen (1972)
Segundos disco de um dos pais do krautrock. Depois da saída do mítico Klaus Schulze, Manuel Göttsching Hartmut Enke proseguiram para mais um petardo do rock espacial com assinatura alemã. Passando pelo blues space em tons de chapação de "Look At Your Sun" e vagando pela órbita de saturno fora da nave como em "Darkness - Flowers Must Die" o universo criado pelos Ash Ra Tempel provaram ser inigualáveis, intensos, excitantes como uma capsula passando a poucos metros e buracos negros vistos nas esquinas dos nossos pesadelos. Ouvir os gurus é como participar de algum ritual, algum sacrifício sendo executado mas que não percetence a nosso planeta. Schwingungen é mais uma aula de psicodelia kraut.
Para ouvidos entorpecidos por: Amon Dull, Can, EMBRYO
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Password: http://elcircodeltambor.blogspot.com/
27.6.10
Galactic Explorers - Epitaph For Venus
Galactic_Explorers
Disco: Epitaph_For_Venus (1972)
Explorar o espaço é um dos maiores fascínios do homem e uma das suas obsessões mas explorar o espaço sensorial sob as moléculas sonoras é possivel quando se tem um monolito andrômedo em forma de tesouro krautrokiano chamado Epitaph For Venus. O Space jazz radioativo do trio de extra terrestres radicados na Alemanha é uma verdadeira exploração pelas vastidão dos nossos sentidos. Em Lunarscape em seus pouco mais de 17 minutos, nos sentimos dentro de uma capsula, olhando as paisagens e os brilhantes planetas num oceano negro flutuante. Em Ethereal Jazz aos poucos vamos nos familiarizandos com os elementos indefinidos que regem as leis do espaço das nossas percepções, até adentrarmos em atmosferas obscuras, nas extremidades do universo, onde num deserto de átomos vertiginosos em Venus Rising somos transportamos para fora dos nossos corpos rumo a um calesdoscópio de sensações desconhecidas - lisergicos delírios cinzentos - onde a não existência de gravidade transborda nosso olhar sonhador em confusas e belas experiências inigualáveis. Uma verdadeira ópera do espaço.
Para ouvidos entorpecidos por: Popol Vuh, Cosmic Jokers, Tangerine Dream.
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