Frequências são emitidas por softwares esquecidos num delírio interplanetário inacreditável. Suas ondas mesmo repletas de obturações e movimentos retrabalhados tem a missão reconfigurar nossos sentidos para futuras viagens, onde seremos parte de uma experiência ancestral não menos futurística. Esse é o password de Cactus, um pequeno single ou um monólito que devemos decodificar para achar mensagens? bem vindo a mais um achado dos inorgânicos Objekt.
Mark Ernestus e Moritz von Oswald são sem dúvida uma dos mais influentes produtores Techno de todos os tempos. Mark fundou em 1996 o influente selo “Chain Reaction” e ambos fundaram a “Basic Channel” selo que ajudou a fundir Berlim e Detroit em mundos sintéticos inigualáveis para o gênero.
Lançado em 1996, Biokinetics é considerado um dos maiores clássicos do Techno anos 90, que Mark Ernestus e Moritz von Oswald resolveram então reler agora, no século XXI para nos fazer crê na metafísica dos loops surrealíssimos. E o passeio pelo disco é a lisergia Techno com doses cavalares de camadas múltiplas que projetam o cérebro para receber líquidos antídotos de abstração e dimensionalidade.
Biokinetics é uma riqueza de detalhes que faz jus ser um dos discos que delimitam o Techno como quase uma filosofia de experimentos e ambições futurísticas. Cada faixa abre-se como uma caixinhas de softwares com vida própria para infiltrar-se em nossas sub percepções sonoras.
Há espaço para verdadeiras obras primas como “Port Of Call” com as bases típicas do universo minimalista, ambientes escuros como “Biokinetics 2” um verdadeiro abismo em espiral sônico e pertubadoramente calmo, experimentações rítmicas onde o movimento é retrabalhado em articulações improváveis em “Port Of Nuba”, diferente de “Nautical Dub” onde o movimento progressivo leva à desacelerações na pulsação dos nossos sentidos agora reprogramados.
Além de ser um registro histórico, “Biokinetics” é uma verdadeira aula Techno. Sua ambiência mágica ditou até o hoje os rumos de um dos estilos mais inovadores da história da música. Sua estrutura e translucidez no domínio da máquina artística, é um marco e um monólito que ainda renderá fontes inspiradores por longos anos. Se hoje o Techno é a vanguarda, com esse registro ele alcançou seus primeiros vôos interplanetários.
Para ouvidos entorpecidos por: Jan Jelinek, Floating Point, Actress, Techno Vanguarda, multi ambientes, terceira dimensão, Jeff Mills.
A maquinaria transveste a rítmica da coesão lúcida e nos remete à desconcertante fusões extremas de ácidas peças construídas em inadequações sonoras, então temos nas mãos os fios condutores de um espaço criado para o entorpecimento mútuo da anti matéria, tudo na janela plásmica de Classical Curves. A devastação pós humana de Jack Latham e sua releitura do futuro além das leis da matemática é transcrita em seu álbum que soa organicamente detentor de um estado alterado de esquizofrênica procura por programas e máquinas que possam trazer à tona a luz para razões perturbadoras.
Passeando por faixas como “Backseat Becomes A Zone While We Glide”, onde frequências lineares pulsam em profusões rígidas trazendo indecifráveis movimentos, enquanto vozes criptografadas ensaiam o sufocamento contínuo e sedutor. A não-humana “Her” e a psicótica “The Courts” trazem obscuras incertezas se estamos diante de um disco cyborg e translúcido ou uma ode humana a si mesmo.
O house em devaneio de “How We Relate to the Body” leva-nos à pistas com feixes inebriantes e isso parece caracterizar o Classical Curves. Sua fórmula gélida infiltra-se levemente em doces movimentos, já podemos mexer nossas mentes para caminhos flexíveis, não antes de passar por “Love Is Real” onde Jack Latham executa sua colagem criando pequenos curto circuitos em nosso cérebro que logo são refeitos com doses de vocais negros saídos de um resquícios de melodia que por acidente escorreu das bordas na cereja “The Nite Life feat. Main Attrakionz”
Com Classical Curves, o projeto Jam City do produtor londrino Jack Latham encontra um lugar para nossa sede por paisagens além, muito além do comum, pistas que se refazem em jogos de luzes e decodificações, levando-nos ao encontro com lados imperceptíveis dos nossos próprios movimentos e sensações. Um achado.
Para Ouvidos Entorpecidos por: Robótica, pistas cinzentas, neblinas pela manhã, minimalismo & Futurismo.
Ao bebermos o líquido metálico – como uma transfusão virtual e íntima – adentramos num oceano de sensações que estão muito além da robótica, nos transformamos em máquinas sensitivas, peixes geométricos, paisagens simétricas com pulsações rígidas e milimétricas. Através desse universo – paralelo – conhecemos os caminhos percorridos pela excelência suprema dos ingleses do Actress – um dos maiores achados sonoros dos últimos anos -que veio para confirmar com RIP que de certo, viver em nosso mundo é apenas uma opção gentil e complexamente mágica para Darren Cunningham.
Dúbias camadas se entrelaçam sem nó, apenas com a metafísica do abraço no ar, o oxigênio que respiramos, mesmo que enfumaçado, reflete substancias de cores jamais pensadas, máquinas e seres convivem no mesmo multi espaço, a física quântica de RIP é digna de um estudo que duraria décadas e esse parece ser o tempo quase que ideal, para percorrer todos os sub becos e decifrar todas as senhas irreais que se transvertem conforme vamos sentido a passagem do tempo.
Se “Ascending” leva-nos à pistas onde a gravidade parece apenas um software obsoleto, “Holy Water” é o líquido que onde nossa matéria desprende-se rumo à fusões necessárias e indefiníveis. “Marble Plexus” começa readaptando nosso cérebro à múltiplas realidades onde pequenas teclas sintetizadas dão a incolor sensação de descobertas incompreensíveis. “Jardin” é o passeio calmo de um fim de tarde, as flores inoxidadas remetem à lembranças jamais removidas porém, temporais em sua sensações, frias em seu toque e sofríveis num então embraquecimento.
“Serpent” faz o retorno à física, duplas camadas gemem pontiagudas reiterações gotejantes. “Raven” e “Glint” são mantras emitidos por freqüências que procuramos em meio à neblinas calmas, sem medo de precipícios momentâneos. RIP vai desaguando em seus pensamentos líquidos pelos túneis de volta a nossa realidade. Deixe “IWAAD” fazer todo o processo de reintegração, não espante-se se pegadas pastosamente cinzas forem vistas ao redor do chão, a certeza que estivemos numa ultra dimensão, irreparavelmente se concretizará.
RIP é o circuito onde o (já) mestre Darren Cunningham vai nos conduzindo por um universo onde os detalhes dependem do nível de entorpecimento que consegues chegar, a fascinação está no limiar de uma porta jamais adentrada. Um mergulho, um salto, um transbordamento na arrebentação da alma nos litorais irreconhecíveis.
Um dos melhores discos do ano certamente.
Para ouvidos entorpecidos por: Máquinas futurísticas, Cyborgs, softwares, Techno cabeçudo, portais irreais, ácidos, arte em instalações.
Voltando à ordem com Sam Shepherd e sua maestria loops psicótica, celestial, entre o vácuo e o delírio onipresente. Danger é um resíduo de linhas obscuras que progridem como uma correnteza desaguando na imaterialidade rítmica sem movimento fixo, sem bordas, sem chão melhor dizendo. Base central da quimera do mestre Floating Point, um mergulho quase científico numa geometria deslineante, um minúsculo instante capaz de longas maresias sintéticas.
Para ouvidos entorpecidos por: Floating Point, James Holden, Tangerina Dream, Klaus Shulze, bebidas coloridas.
O Techno por vezes parece não encontrar seus limites. As razões para tal performance seria seu inebriante desejo de ultrapassar os limites da física que nos fazer crê em multi dimensões inimagináveis?
O debut do americano Austin Cesear é um atestado dessa constatação. Cruise Forever surge dos emaranhados mais labirinto do Techno, com paisagens saídas de um futurismo causando por um devaneio caótico de feixes e ventos metálicos que oxigenam cérebros a espera do antídoto sonoro exato.
Petardos como “The Groove” e “Shut In” aceleram as partículas do tempo em fragmentações em dissonantes montagens de substancias rítmicas com colagens flutuantes de turvas paisagens cinzentas. Essa é senha para “In the Depths of the Ocean is Our Capitol” e “B5 Travellers in Faith Dub” fechando o disco com reverberações mântricas com ácidos neutros de pura lisergia pós transe.
The Kilimanjaro Darkjazz Ensemble é um projeto formando por músicos de vários países que começou em 2000 com a singular proposta de compor trilhas sonoras para filmes mudos que já existiam. Combinando elementos de um jazz elegante com uma fluidez ambiet e fragmentos minimalistas de um futurismo sombrio, I Forsee The Dark Ahead, If I Stay é a mais nova incursão do grupo pelos terrenos de uma música visual e surrealista. Cada elemento é trabalho com riquezas de detalhes e sutileza ímpar, onde a música encontra uma relva para se deliciar de sensações oníricas profundas.
Darkjazz Ensemble é formado por Gideon kiers, Jason Kohnen, Eelco Bosman, Hilary Jeffery, Charlotte Cegarra, Nina Hitz e sarah Anderson.
Para ouvidos entorpecidos por: Nosferatu, Metropolis,Furutísmo, surrealismo, Sigur Rós, Stalker e paisagens sombrias
No Final da última década o jovem produtor inglês Sam Shepherd se tornou uma espécie de “mito” prodígio das gravadoras e suas parcerias com a vanguarda eletrônica se tornaram constante e promissora. Desde 'For You/Radiality' (Eglo records) – Eglo é um selo criado por ele - seus minúsculos e intricados Eps, mostraram o crescimento de suas trilhas como um gênio em larga escala rumo ao transcendentalismo techno experimental. Ouça ‘Vacuum Boogie’, e ‘Love Me Like This’ e entenda.
Shadows é mais um prova que Floating Points possui assustadoramente o domínio do percurso quântico, atravessando em múltiplas camadas as paisagens que teimam em se desdobrar enquanto inevitavelmente abrimos as portas do silêncio.
Se tanto em “myrtle_avenue” como “Obfuse” há camadas de loops de bateria que em algum momento parecem se sobrepor, nossos ouvidos devem estar preparados para desvendar pequenas perfurações metafísicas - na rigidez dos movimentos - criando ambientes solares – não menos irreais na verdade – dentro das sintéticas performances da música.
A tensão pós-dubstep/jazz/house das duas primeiras faixas é invertida em ambientação entrelaçada agora em sedutoras incursos por terrenos escuros em “-realise”, onde loops servem como chão inconstante que parece querer afundar se pisarmos sem atenção. Floating definitivamente é mestre na criação de camadas se sobrepondo mas que ao mesmo tempo não se agridem – muitas das vezes jogando a percepção de algumas para segundo plano – mas aqui todas elas parecem em primeira pessoa, recriando uma ilusão auditiva de triplas sonoridades techno-sônicas.
Essa tese sonora permanece em “arp3”: Um túnel de sensações recombina-se numa pista inacreditalmente translúcida – onde Point parece friamente calcular as equações com precisão cirúrgica – O lisérgico resultado não parece nenhum devaneio andróide e sim a evidência de estarmos no limiar de um resultado até então inexplorado – sem dúvida uma das obras primas desse disco.
Se é de um túnel de sensações que falávamos “sais” traz o final dele em passagem pelos mais cotidianos fluidos das cidades. A elegância do jazz com o minimalismo techno e a sutileza –metamórfosica de Point- cria uma espécie de física futurística que não precisamos compreender e sim recriar suas alterações do espaço em nossas capsulas cerebrais em ácidas sensações de expansão. Um dos melhores discos de 2011.
Para ouvidos entorpecidos por: Física Quântica, Jazz space, Techno experimental, Garage, minimalismos sintéticos, lisérgicas pistas.
Os lunáticos alemães estão de volta num ácido delírio onde o Techno é a plataforma de partida rumo a um caleidoscópico percurso pelas vielas sonoras do ciberespaço. As colaborações também marcam esse registro como o lúdico vocal de Thom Yorke em “Shipwreck” e “Green Light” onde sua voz é jogada num liquido metálico sufocante ou Apparat tocando guitarra em “war_cry” última faixa do trabalho também como aperitivo.
Monkeytown parece recriar uma Berlim que só existe na mente doentia dos games e das artes digitas, todo o caminho traçado pela dupla é fragmentada, dúbia, recheada de transformações que desmontam o ambiente criado, por outro lado certa rigidez linear serve de base para inorgânicas incursões, caso da faixa de abertura “blue_chords”. O Techno space de “german_clap” e no hipnotismo irresistivel de “grillwalker” ou o hip hop chapado de “berlin” ou “pretentious_friends” são facetas de um disco para ser estudado com potentes fones de ouvido e entorpecimentos frenéticos.
Esse é o quinto disco de Gernot e Sebastian Bronsert Szary. uma dos mais criativos grupos alemães a surgirem nos anos 00.
Há discos que parecem fazer parte de um estranho e fascinante jogo gravitacional, onde nós, somos convidados para a um percurso; futurístico ou irreal, não sabemos, mas para o techno a realidade é múltipla essa é a certeza.
“Hazyville” é esse cubo que quanto mais vasculhamos mais nos surpreendemos com suas possibilidades, caminhos, passagens que levam ao inconsciente sintético com doses de ácido e capsulas sintetizadas.
É o debut dos londrinos do Actress, cabeças da gravadora Werk Discs, um dos mais interessantes produtores a surgir nos últimos anos. Os vocais hipnóticos de “again the addiction” ou o delírio monológico de “againlude” parecem fazer parte de uma comoção minimalista em outro lugar da galáxia. Seus intricados loops, sussurram em beats que crescem como fôlegos vindos de algum pesadelo medonho, síntese de “mincin”. Quase impossível não ser levado à estados alterados da consciência em “ivy may gilpin” ou não se chocar com a elegância techno space de “crushed”.
Detroit, Berlim, Londres, futuro, cosmo e techno se reúnem num das mais interessantes estréias dos anos 00. Isso porque o Actress ainda lançaria em 2010 um dos melhores discos do últimos anos, o obrigatório Splazsh.
Para ouvidos entorpecidos por: Detroit, Berlim, techno, IDM, classudas lisergias, capsulas de ácido.
Harpas despencam dos penhascos da melodia como se cachoeira fosse; inacreditável e indefinível como os mistérios da vida, Huntington Ashram Monastery é o portal de entrada para as dimensões que julgávamos impossíveis na música. Alice é como um antídoto que ao tomarmos, adentramos os mais profundos onirismos e vagamos encantados e surpreendidos pelas paisagens que tínhamos visto em sonhos dispersos ou lido nos delírios de algum poeta surrealista.
Um disco que vasculha a beleza exótica do free jazz; as raízes de percursos por crepusculares sensações de salto, sobrevoando os descampados, onde o bater das asas geram sons de harpas que preenchem cada segundo transbordando suas percepções da realidade múltipla; esse é o entrelaço sublime de “Turiya” segunda faixa desse petardo.
Se o baixo é o ponto de partida em “Paramahansa Lake” as harpas mais uma vez soltam suas pétalas pelos vasto chão das nossas mais extremas alucinações. Alice, como um poeta, escreve vastas poesias na pele da melodia, suas harpas desafiam as leis da física e chegam até as extremidades, onde o universo parece estar a cargo de nós, inventarmos.
Alice senta e coloca o piano em primeiro plano no monologo “I.H.S”. Ouvindo suas teclas tensas, harpas ainda ressoam em nosso inconsciente mas, assistimos ao afugentar de algum fantasma na mente insana e lúdica da musa. Sentimos com ela a beleza se desfazer em lágrimas; gestos se desmancharem na ausência de sentido, olhares que já não se reconhecem, intensos goles de veneno e chamas que insistem em não se apagar apesar de mortas; o piano de Alice Coltrane quer nos dizer algo que vem das mais profundas razões, só precisamos estar de espírito para mergulharmos num oceano absolutamente nosso.
Como acordar de um colossal sonho ou como estar dentro de algum quadro de Rene Magritte e voltar sem atordoamento e sim sabendo que fez um viagem espiritual; com doses de pesadelo e ácido, Alice nos entrega a cereja do bolo “Jaya Jaya Rama”. baixo;bateria inquietos, quebradiços se contrapõe a esquizofrênicas teclas de piano; onde a poesia desabafa e reencontra com o lado material das coisas, seu toque, sua percepções aguda, abraça a realidade cotidiana; vaga pelo nós da matéria e destila longos discursos mundanos, mas sabe-se e só nós sabemos; o quão longe estivemos; seduzidos e entorpecidos por mais essa obra de arte de Alice Coltrane.
Para ouvidos entorpecidos por: Universos paralelos; paisagens surrealistas; musica alucinógena, poetas malditos, anti-gravidade, Alice Coltrane.
Estroboscópico Artefactos apresenta mais uma edição da séria Monad. Dessa vez Lucy - que para mim fez um dos melhores discos dos ultimos anos -o fundamental “Wordplay_For Working Bees” assina a decima edição. Compartilho aqui o Streaming do Ep. Para aqueles que amam saborear paisagens, texturas, linhas obscuras, senhas complexas que adquirem formas diversas quanto mais vasculhamos as dimensões desafiadores do Techno.
Para ouvidos entorpecidos por: Wordplay For Working_Bees, techno classudo, minimalismo.
Reto, hipnótico, como uma flecha laser ativando dispositivos que parecem causar estranhos delírios cinzentos pelos circuitos dos nossos mais introspectos fragmento de sanidade. E isso é diluído no coquetel sintético do argentino Juan Pablo Pfirter e seu dispositivo futurístico Monad IV.
“Arcon” adentra das camadas lineares, causa curto circuitos na passagem e vai abrindo portas irreais enquanto o estado de consumação torna o ritual um techno mântrico e assustador.
Monad IV faz parte de uma série de Eps digitais que se traduzem de forma conceitual, sob a batuta do selo artefactos Estroboscópico. A história gira em torna da evolução da Monad (Filosofia Grega que traduzida significa unidade) até sua evolução para a Díade (musicalmente uma evolução de notas que formam um acorde, tríade, tétrade etc).
Se os gurus cósmico do Popol Vuh recebessem a humanidade em outra galáxia, certamente a trilha sonora seria “Supraventricular” um tribalismo enlatado que geme como uma mecanismo futurístico;ensurdecedor, como um elo ancestral entre máquina e homem em outra dimensão do cyberspaço.
e “Materia” encerra o percurso pelos vastos campos do universo, onde o techno há muito parece encontrar-se com forças extra sensoriais que dialogam em linguagens indecifráveis. E essa certeza se perpetua ouvindo esse verdade monólito compactado em complexos cálculos; comandado por Juan Pablo Pfirter. Se há uma evolução para as leis da música; ela está nas mãos desses cyborgs e nossos ouvidos agradecem com exóticas flutuações.
Para ouvidos entorpecidos por: monólitos alienígenas, techno futurístico; tecnologia; tribalismo; techno, gravidade zero e rituais cyborgs.
Existe uma lógica que defina a estrutura molecular da música? Existe uma metafísica baseada em conceitos sonoros empregados por desbravadores sônicos? se existe, fica evidente em alguns discos como “Monad_VIII” que parece resistir à idéia; que uma canção deve obedecer fórmulas e dispositivos pré-estabelecidos. Esse parece ser também a linha conceitual do selo berlinense “Artefactos estroboscópica”.
Seu mais novo artefato segue os cálculos herméticos;caro aos mais nobres desejos de desequilíbrio e vanguarda. Dadub - Monad VIII é um monólito;que, ao ser resgatado de um planeta distante, revela-se hipnoticamente sedutor.
Dadub também cita Ilya Prigogine ( Nobel de Química de 1977, pelos seus estudos em termodinâmica de processos irreversíveis com a formulação da teoria das estruturas dissipativas) e nos remete ao irreversível e ao inderminismo causando por sua ambiência sobrepostas de ruídos, samplers, batidas techno-tribais aliens acoplados como uma sonda;captando informações centrais do nosso cérebro.
O disco termina, como se esse monólito tivesse sido abandonado numa paisagem distante, esquecido pelas civilizações mas emitindo freqüência que provocarão transes irreversíveis no primeiro contato.
Para ouvidos entorpecidos por: Moléculas sonoras, Pontos flutuantes, Techno space, transes cósmicos, delírios cyborgs.
Há qualquer coisa se substancial numa canção capaz consumir o ser humano, como talvez, nenhuma arte possuí. Falo da forma como ela adentra – como um antídoto- que percorre nossas veias e atinge as mais distantes extremidades do cérebro. Esse via imaginária é um dos grandes mistérios dessa arte. Como, de qual forma, sua moléculas nos afeta de uma tal maneira física que nos transporta – metafisicamente – há lugares, sensações, percepções inimagináveis?
Foi pensando nessas questões e em outros cavidades que Leyland James Kirby nos apresenta “An Empty Bliss Beyond This World” do seu projeto conceitual de estudo sonoros The Caretake.
Para sondar as possibilidades sonoros que vão muito mais além de compor uma canção e combinar acordes, Kirby se armou com referencias fantasmagóricas como o filme “O Iluminado” do mestre Stanley Kubrik. Um estudo sobre os nostálgicos disco de 78 rotações ou 78 rpm (grande febre nos anos 20) aproveitando as variações de ruídos e ambiente que esses artefatos possuem para criar texturas que remetem às mais longínquas nostalgias.
Outro ponto relevante sobre a construção do disco, é o estudo apontando a música como fator de retardamento do mal de Alzheimer. Servindo portanto para o tratamento dos pacientes. Vale ressaltar que foi comprovado que a mesma região do cérebro associada a música é a mesma região associada às memorias, numa espécie de ponte ou avenidas onde transitam ambas.
An Empty Bliss Beyond This World é um delirante percurso associado as mais profundas percepções de espaço, onde as lembranças se recriam se deixarmos as amarras do presente de lado. Um disco de caráter denso, pequenos atos melancólicos, não há silêncio há o incomodamento movido a uma inerte acomodação perturbadoramente atemporal. Fantasmal também pode ser ele sentido.
A sensação é de uma intimidade delicada entre música e memória, entre o momento e o movimento (ou ausência) ao redor. Pequenos timbres jazz, resquícios de pianos e sintetizadores, onde é aproveitado não apenas a construção tonal ou melódica ou estrutural do som e sim seus subtextos, suas imaterialidades, a metafisica que dá a ela (música) uma condição de ser muito mais que uma arte, uma concepção de existência profundamente divina. Uma obra de múltiplas textualizações e no melhor conceito possível, uma obra de arte de Leyland James Kirby.
Para ouvidos entorpecidos por: Memórias atemporais, discos de vinil, descampados, lugares silenciosos, sorrir ou chorar sozinho e música pra alma.
Pontos Flutuantes é um blog sobre música, mas também é um delírio, uma multi dimensional página sonoras espectral, um baú cinzento nas entrelinhas do ciberespaço e da grande rede e Cybernic é um apaixonado por músicas capazes de transcender os limites da matéria, da gravidade e ir além dos limiares de si mesmo.