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4.8.11

Machinedrum - Room(s)

 

Machinedrum

 

Disco: Room(s) – 2011

 

Veterano na cena nova-iorquina, Travis Stewart volta depois de um hiato com um hipnótico e coeso trabalho. Room(s) rende passagens recheadas de texturas, loops flutuantes, beats cavernosos, chiados alienígenas e vozes decodificadas entrecortando o ambiente.

O trabalho notável do produtor passeia pelo dubstep em “she_died_there” pelos crepusculares progressivíssimos em “Where Did We Go Wrong” ou delírios assustadores como em “Youniverse” ou na frenesi sintético de “Door(s)” mostrando que o tempo não cessou o desejo do rapaz de desbravar portas desconhecidas. Download

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Para ouvidos entorpecidos por: Lucy, Jon Convex , Kromestar & Om Unit, noites ácidas, copos coloridos.

 

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Senha:
mikkisays.net

22.5.11

Robag Wruhme - Thora Vukk

Robag Wruhme

 

Disco - Thora Vukk (2011)

 

 

 

O álbum de estréia do produtor Robag Wruhme, é uma coleção de colagens harmônicas que se entrelaçam, como num baile beats, onde delicados devaneios vão se esculpindo nas pontas dos pés dos nossos sentidos. O designer sonoro é impecável, onde parecemos estar dentro da mente cinzenta de algum desconhecido que vaga pela cidade a procura de um antídoto para sua inercia desoladora, que no fundo revela-se intensa e profícua.

 

Produtor com participações em vários discos em canções remixadas, conhecido pelo trabalho no Wighnomy Brothers, parcerias com Isolée, releituras de Luciano, Thora Vukk já era um dos discos mais esperados da cena, e não decepciona. Sua vasta gama de possibilidades, revela-se uma das grandes qualidades, coeso, por vezes obscuro, IDM, com dosagens Techno, o disco fragmenta-se em pequenas organismos, mas uni-se em longas paisagens que modulam o ambiente, o deixando vasto, arquitetônico, longos braços que desbravam o desconhecido para depois mergulhar sua mente em ensolarados percursos sintéticos. Já candidato a clássico no futurístico e inominável universo eletrônico.

 

 

Para ouvidos entorpecidos por: Isolee, Ricardo Villalobos, Prommer_And_Barck

 

 

 

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29.3.11

Isolee__Well_Spent_Youth

 

Isolee

 

Disco__Well_Spent_Youth [2011]

 

A textura sonora é um aperitivo muita das vezes fundamental na construção espectral de um ambiente sintético. Para aqueles que acham que tudo é repetição, loops mecânicos e beats invonluntário, é preciso mergulhar seu cerebro nos oceanos psicometalicos de Isolee, ou Rajko Müller, ou seu technospace de camadas submarinamente profundas. Em seu terceiro delírio cyborgano, somos conduzidos para dentro das suas reverbações, adentramos intrisecas passagens obscuras por dentro de chips chapantes com códigos indecifraveis, ondas que ondulam nossa percepção de espaço, pequenos deleys imaginários congelando nossas visceras. Em Well_Spent_Youth somos pequenas capsulas atravessando os circuitos mais indeleaveis da mente humana.

 

 

 

Para ouvidos entorpecidos por: Sandwell_Distric, Efdemin, Alex Smoke

7.8.10

Jeff Mills - The Occurrence

Jeff Mills

Disco:  The Occurrence [2010]

Uma das grandes razões "filosóficas" da música hoje em dia é...Onde o Techno/música eletrônica vai parar? Alguns dos alienigenas, digo cyborgs, digo, genios, digo...Djs, estão tão longe que só é possivel ver seu rastro com um olhar bem profundo sobre a própria razão e contemporaneidade da música da nossa geração. Jeff Mills lendária figura do Techno de Detroit apresenta sua releitura do espaço sideral e atira com um raio laser no pulmão da gravidade.

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Para ouvidos entorpecidos por: Espaço sideral, Star trek, Techno de Berlim & Detroit, física quântica

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Capa

 

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25.7.10

Modeselektor - Happy Birthday

Modeselektor

Disco:  Happy Birthday (2007)

Gernot Bronsert e Sebastian Szary são cyborgs nascidos em Berlim que pretendem misturar nossas percepções num calderação que chips desordenados que passam pelo Techno, Hip Hop, dark, black, idm e ácidos coloridos que o trazem para dentro da vanguarda alemã. Happy Birthday, segundo disco da dupla, traz um leque de partipações emblemáticas, como Thom Yorke, Apparat e Máximo Park. Funde-se em peças delirantes não menos irresponsavelmente futuristicas que parecem saidas da mente de um androide com sérios disturbios genialmente criativos.

Para ouvidos entorpecidos por: Ellen Allien, Apparat, Tricky

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23.6.10

James Holden - The_Idiots_Are_Winning

James Holden

disco: - The Idiots Are Winning (2006)

Ouvir as primeiras batidas de “Lump” é começar a ser seduzido para dentro do subsolo sintético de um dos meninos prodigios da terra da rainha, James Alexander Holden Goodale. Lançado em 2006, The Idiots Are Winning traz canções quebradas que se mutabilizam em frequências alucinantes, percussões alienigenas, beats sobrepostos, como um rádio deixado em algum planeta distante, que fora de sintonia, emite ondas sonoras confusas pelo espaço. Um verdadeiro artefato que vicia como um antídoto espectral.

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Para ouvindos entorpecidos por: Flying lutus, Four Tet, Nathan Fake

 

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8.6.10

Ellen Allien - Dust


Ellen Allien

Disco: Dust (2010)


O ideal da música eletrônica, em seu princípio, sempre teve um tom romântico. Transmitir sensações humanas usando dos instrumentos mais robóticos possíveis. A sensação de dirigir por uma estrada em Autobahn, a sensação de erotismo nas basslines sintetizadas da era disco, até a sensação de viagem espaço-temporal do space disco escandinavo hoje em dia. O grande desafio de um artista eletrônico se encontra em transformar o que, em outras situações, seria somente ruído (não é, Matthew Herbert?) em alguma coisa dotada de sentimento.

Inspirada pela efervescência de uma Berlim reunida, Ellen Allien é uma das artistas que melhor soube lidar com esse desafio na última década. Seus álbuns consistentes representam a cidade e seus habitantes com uma personalidade ímpar (seu primeiro álbum se chama Stadtkind - "filha da cidade" em alemão - e seu fantástico segundo álbum, Berlinette). Dentro desse panorama, Ellen Allien fala de pessoas, de sua relação com a tecnologia e o ambiente urbano, do medo do futuro e de como esse futuro pode ser. Se Björk perdesse a voz e fosse deixada sozinha numa sala com um sintetizador e um sampler, esse seria o tipo de música que ela faria.

Depois da instrospecção quase impenetrável de Sool, de 2008, no qual ela construiu soundscapes de um mundo pós-apocalíptico e compôs as músicas mais minimalistas de sua carreira até agora (e isso é dizer alguma coisa se considerarmos sua obra), ela retorna em 2010 com esse Dust. Dust não é, nem foi concebido como, uma antítese de Sool, mas o é em muitos aspectos. Primeiro, porque enquanto Sool abriu um grande abismo entre a música de Allien e a pista de dança, Dust trata de ligá-los novamente. Além disso, que me consta, a única coisa "humana" em Sool era o vocal de "Frieda", uma balada triste quase no final daquele cd. Dust é muito mais brincalhão nesse sentido, a ponto de ter uma ou duas músicas com base numa guitarra acústica.

Brincalhão, é claro, nos termos de Allien, é ser experimentar sem perder de vista as pistas, ambiente onde essas músicas deveriam, primeiramente, ser escutadas. A artista oferece isso de sobra aqui. "Our Utopie" abre o cd com uma linha de baixo contagiante, um sintetizador upbeat e Allien cantando por cima de tudo "the sky, the taste, our utopie/we count one, two, three/and we are still here". "Flashy Flashy", a faixa seguinte, flerta ainda mais com a cultura feel-good, repetindo seu título por cima de uma batida quase electroclash.

Sool foi tão sisudo que esperava-se que, para balancear, Dust acabasse sendo seu disco mais pop. O palpite foi certo, mas longe de prejudicá-la, ele mostra o trabalho mais multifacetado de Allien desde Berlinette. É definitivamente seu álbum menos "berlinense" - não há aqui nada que lembre o tom épico de "Come", faixa que abria seu disco de 2005, Thrills - o que abre espaço para bongôs aparecerem em "Huibuh", por exemplo. Não é perfeito, mas Allien é o tipo de artista que faz uma música tão centrada em sua realidade que nos faz relevar alguns casos de indulgência (como a faixa "My Tree", que é totalmente dispensável). Logo, esperar um álbum perfeito é sem sentido. O caráter humano, demasiadamente humano da obra de Allien vale mais do que perfeição. Romântico, não?

Capa

Texto Encontrado em : Opperaa

Link: Download (link encontrado em blog UpBeatz)

Para ouvidos entorpecidos por: Flying lotus, Floating point, Apparat

24.5.10

Flying_Lotus-Cosmogramma-2010

 

Flying lotus

Disco: Cosmogramma (2010)

Odisseia cósmica a bordo de um shuttle que percorre a órbita da música negra, a velocidade warp, rumo ao mesmíssimo local de partida.

Convidado para o Sónar 2008 por Mary Anne Hobbs (autora do programa “Dubstep Warz” da BBC Radio 1, dedicado ao dubstep, e considerada como uma das mais referenciais divulgadoras deste género nascido no sul de Londres, na senda do pioneiro e ex-colega John Peel), Flying Lotus (nome de guerra para Steven Ellison) actuou na mesma noite de Shackleton, Mala, entre outros projectos mais ou menos emergentes da cena dubstep. Terminada a sua vibrante sessão, deixou-se ficar no palco, minando a actuação de dois miúdos que se seguiram, intrometendo-se com samples e loops oriundos do seu equipamento, em constante sobreposição, resultando num espectáculo bizarro, sofrível, ininteligível, até ao nascer do dia. Numa palavra: caos. E não é só em palco, ou sob o efeito de opiáceos, pois Los Angeles (2008) padecia da mesma desordem rítmica, com beats quebrados e dessincronizados, sons desfasados, texturas alienígenas e demais apontamentos não-convencionais, conjugando o hip-hop, o dubstep e o broken beat com várias outras linguagens urbanas, num disco tão estranho e inclassificável quanto experimental e, na medida do impossível, original.
Novamente pela Warp de Chris Clark, o agente do caos volta à carga com a edição de um seu terceiro longa-duração, intitulado Cosmogramma (2010). Um caos que, revela-se-nos agora, parece obedecer a um sentido superior de harmonização cosmológica. Toda aquela desordem rítmica e sonora, com faixas que vão terminando umas por cima das outras, resulta num todo incoerente mas funcional, ora como que a possibilidade da existência de vida por debaixo de uma superfície absolutamente inóspita, num qualquer astro distante. O dubstep londrino não passou, afinal, de um equívoco episódico, rótulo tornado obsoleto. Ellison é californiano, tem como tia-avó a mítica Alice Coltrane e é admirador incondicional de J Dilla.
Este novo disco é um caldeirão onde se misturam diversos ingredientes: cultura de videogames, hip-hop de cariz old school, grooves electrónicos, atonalidades jazzísticas, etc. A incerta altura ouvimos uma linha de baixo dedilhada à Pat Metheny que, embrenhada em toda uma parafernália de loops e sintetizadores, remete para a reminiscência dos Headhunters de Herbie Hancock. Precisam de mais um rótulo, mais um neologismo? Talvez digital-jazz, ou a ressurreição de Sun Ra na narrativa de um jogo de computador, pilhando tudo à sua volta. Em duas palavras: caos e pilhagem. Pressente-se que Flying Lotus quer conquistar o mundo, só não descobriu (ainda) a melhor farsa para o fazer.

Gustavo Sampaio
gsampaio@hotmail.com

Texto encontrado em> Bodyspace

Para ouvidos entorpecidos por: Alice Coltrane, Cosmic jokers, Four Tet.

Download: rapidshare

14.2.10

Massive Attack - Heligoland

 

Massive Attack

Disco: Heligoland (2010)

Sim, Del Naja e G Marshall estão de volta num disco primoroso. Heligoland é a mostra que os sete anos longe do estúdio não deixaram acomodados os pais de "trip hop". Porém, assim como o Portishead, eles deram uma paquena guinada na sonoridade e mostraram que ainda fazem parte da vanguarda downbeat. Mergulhados num sombrio universo sintético, onde vozes deliram vagando pelos túneis da inconsciencia rumo as artérias do desconhecido e paisagens caras ao próprio Massive. Como a irresístivel "Babel" com vocal soberbo de Martina ou o piano dark de "Pray For Rain" que vai desenhando o ambiente com o vocal David Bowiano de Tunde Adebimpe (TV On The Radio). ou a nervosa "Girl I Love You" com vocais graves de 3D e participação de Horace Andy, linhas de baixo elegantes, numa sonoridade próxima a ouvida no disco anterior, 100th Window. O disco vai avançando e já estamos até os pescoço presos no sedutor espaço trimimensional dos Massive e ele nos entorpece com a genial "Psyche" onde hipnotica lhe é o termo mais bem aplicado num verdadeiro expiral mágico com vocais femininos transbordando pelas bordas dos espaços dos sentidos e desaguando na não menos genial "Flat Of The Blade" com participação de Guy Garvey (Elbow) canção que poderia estar em The eraser, disco solo do Thom Yorke, em seus melhores momentos, mas também poderia ser uma canção perdida de Bjork em Homogenic, sussurros densos, graves timbres num ambiente caro a Ellen Allien & Apparat ou aos pesadelos de Beth Ginbons mas que tem a assinatura dos rapazes de Bristol. E como se ainda não fosse suficiente, "Paradise Circus" apresenta Hope Sandoval (Mazzy Star e Hope Sandoval & the Warm Inventions participações com Jesus & Mary Chain ("Perfume"), Air ("Cherry Blossom Girl") e a sublime "Asleep from the Day", do álbum Surrender dos Chemical Brothers) Numa das melhores músicas já criadas pela dupla, Um jazz elegante, entre densas linhas entrecortadas de beats e palmas e o vocal soberbo de Hope, canção que poderia fazer parte facilmente de Mezzanine. E entre violões, pequenos orquestrações e melodias complexas e arranjos que passam longe de fórmulas prontas, Heligoland, já candidato a disco do ano, vai se esculpindo e temos aqui um candidato também a clássico da banda, que não é pouco para quem já deu ao mundo seminais como "Blue lines" (1991) ou Mezaninne (1998). As colaborações ainda se destacam em "Saturday Comes Slow" com Damon Albarn. O disco fecha com a genial "Atlas Air" com o sabor de um disco impecável nos ouvidos, onde se viciar é quase um ato da natureza.

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Para ouvidos entorpecidos por: Tricky, Portishead, Microbunny

1.1.10

The Eraser

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Thom Yorke

Disco: The Eraser (2006)

A voz sempre foi tratada como um instrumento à parte numa canção popular. Como aquela que guia a canção por dentro da melodia e a desenha pelos litorais dos nossos ouvidos. Mas poucos conseguem apenas dilui-la por sobre as camadas como se mais um piano ou um xilofone fosse, como Thom Yorke. Sua voz tem qualquer coisa de instigante, teatralmente lúdica, parece (e ele já confessou isso) que sempre está buscando novas formas em meio a abstração sonora de sua banda. Mas, Yorke precisava enfrentar seus fantasmas e pra isso nos entregou em 2006, uma pérola dos tempos modernos. The Eraser. Quem acompanha IDM e o chamado downbeat, sabe onde The Eraser está pisando, mas aqui temos algo mais além, temos um dos maiores compositores da sua geração numa performance intransferivel. Thom parece estar numa arena cyborg, lutando com máquinas fantasmas entre diálogos com cines negros, entre sopros nos corações dos nossos ouvidos que aos poucos vai aceitando a estranheza sintética dos bets se fundindo com o átomo sublime do vocal. Entre excêntricas paisagens pertubadoras, resquícios de confusos idioteques pelos caminhos dos becos existencias, onde apenas Thom Yorke sabe as senhas e os caminhos de volta. The Eraser é o disco de uma voz atormentadamente imcompáravel quando de uma beleza - densa beleza cinza, futurística e rara- falamos. ou como diz o próprio gênio:

It's all boiling over
All boiling over
Your little voice
Your little voice

 

Cymbal Rush

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Capa: The Eraser

Para ouvidos entorpecidos por:Radiohead, Four Tet, Aphex Twin

31.12.09

Crítica / Ellen Allien & Apparat Orchestra of Bubbles

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Não esperava a sobrepovoada Arca de Noé - que emparelha em duelos ou amistosas parcerias os recenseados da nação electrónica - encontrar lado a lado duas figuras impares da categórica e seminal cena berlinense, Ellen Allien e Apparat. Como se blindado contra todas as falhas que pudesse acusar o cumprimento da improbabilidade, o sistema agora aliado apresenta resposta para cada bala de cepticismo que se lhe aponte. Como podem ser alternadas ambições tão divergentes quantas as de Apparat – habitualmente dedicado à meticulosidade de uma aplicação cirúrgica de elementos - e Ellen Allien – recentemente elevada à condição de diva de um techno magno -? Através da democrática infusão de intervenções. Nunca chegando as marcas pessoais a anularem-se entre si.

Será realmente favorável mediar dois alcances opostos (quando Apparat favorece da curta duração do EP e a actual Allien armazenar em si uma grandeza que transborda a um longa duração)? Certamente que sim, com base num espírito united we stand, divided we fall - encontrando um meio termo ideal entre o atrofiamento do primeiro e a megalomania da segunda. Resultarão sobrepostas duas sensibilidades emergentes da mesma escola germânica pragmática e centrada na eficiência? Às mil maravilhas, atendendo a que exala a Berlim o comunal oxigénio que preenche os pulmões ao corpo híbrido que aqui adquire forma. Não adianta de facto falar na frieza germânica. Bastará a essa elação a escuta dos últimos lançamentos da B-Pitch Control que agora avança com Orchestra of Bubbles. Berlim é a nova Kingston.


Facilita a lógica à resolução da equação que torna primordial o título do disco: é borbulhante de facto o núcleo da encruzilhada que intersecta duas perspectivas cerebrais. Borbulhante como se resultante da efervescência que produz o encontro em Berlim (a que a autora de Thrills descobriu a outra metade após a queda do muro e que mudou a vida a Sascha “Apparat” Ring quando se mudou da província). Não tardou o destino a ditar comportamentos. Allien abundantemente artilhada com uma electrónica que rasga os espaços como feixes de luz. Apparat permanentemente pronto a remendar os estragos com um ping-pong exacto e robótico de ínfimos dispositivos sensoriais oleados a glitch e linhas minimalistas aplicadas como acupunctura. Não se conhecia uma química tão marcante desde que aquele parzinho amoroso tentava a melhor forma de escapar vivo ao naufrágio do barco que nem Deus era capaz de afundar. Faltavam contudo ao filme de James Cameron os tomates hermafroditas que pesam suspensos às bolhas multi-coloridadas de Bubbles. Não hajam dúvidas, a atitude frontal do disco é a de um statement.


De seguida, zapping diagonal por entre faixas. O primeiro e elucidativo single “Turbo Dreams” encontra Mallory Knox a publicitar os benefícios sexuais ao interior almofadado de um Toyota desportivo. Utilização simplificada de linhas entranháveis, com emulação de guitarra incisiva no lugar da embraiagem. “Retina” recupera o alerta ecológico às cordas imperiosas de “Hunter”, que abria Homogenic a Björk, e trata de utilizá-lo como combustível a um serpenteante combinado de texturas que se movem à velocidade da luz. Ritmo constante – “pum-pum-pum-pa-ta-pum-pum” - torna fumegante as narinas à locomotiva “Jet” – momento maior movido a ruído branco destilado e tremente arritmia de gorgulhos tornados berlindes. Depois, uma fase intermédia menos intensa, mas igualmente sólida. Glitch à beira de eutanásia no quase espiritual “Edison”. Bolhas aos milhares e estruturalmente dispersas no capsular e marchante “Bubbles”, em que Ellen Allien deixa em aberto a possibilidade de vir a intervir mais vezes vocalmente num próximo disco. Esperemos que sim.


E daí talvez tenha sido o admirável mundo novo que se descobre ao swing entre casais a infundir de diversidade Orchestra of Bubbles. Isto porque Holger Zilske, produtor dos últimos discos de Allien, entretanto veio a colaborar com Miss Kittin no narcisico I COM e, em jeito de escapadinha, a primeira não se acanhou em assumir a atracção por Apparat. Resulta a relação por força de um imparável magnetismo que forma bolhas entre os extremos de uma lâmpada de lava. Na verdade, arrisca-se a ser neste caso redutora qualquer aplicação que se tenha reservada para o techno. Temos caso sério em termos de disco de dança? Permito a que seja Simão Sabrosa a utilizar a sua resposta recorrente por mim: Sem dúvida. Hajam dúvidas e tratarão de dissolvê-las as bolhas verticalmente dispostas na bola de cristal do melhor disco nocturno em largos, largos meses.

Miguel Arsénio

TEXTO ORIGINAL ENCONTRADO em:  Bodyspace