Mostrando postagens com marcador Jazz Space. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jazz Space. Mostrar todas as postagens

20.1.12

Floating_Points—Shadows (2011)

Floating_Points

Disco—Shadows (2011)

No Final da última década o jovem produtor inglês Sam Shepherd se tornou uma espécie de “mito” prodígio das gravadoras e suas parcerias com a vanguarda eletrônica se tornaram constante e promissora. Desde 'For You/Radiality' (Eglo records) – Eglo é um selo criado por ele -  seus minúsculos e intricados Eps, mostraram o crescimento de suas trilhas como um gênio em larga escala rumo ao transcendentalismo techno experimental. Ouça ‘Vacuum Boogie’, e ‘Love Me Like This’ e entenda.

Shadows é mais um  prova que Floating Points possui assustadoramente o domínio do percurso quântico, atravessando em múltiplas camadas as paisagens que teimam em se desdobrar enquanto inevitavelmente abrimos as portas do silêncio.

Se tanto em “myrtle_avenue” como “Obfuse” há camadas de loops de bateria que em algum momento parecem se sobrepor, nossos ouvidos devem estar preparados para desvendar pequenas perfurações metafísicas - na rigidez dos movimentos - criando ambientes solares – não menos irreais na verdade – dentro das sintéticas performances da música.

A tensão pós-dubstep/jazz/house das duas primeiras faixas é invertida em ambientação entrelaçada agora em sedutoras incursos por terrenos escuros em “-realise”, onde loops servem como chão inconstante que parece querer afundar se pisarmos sem atenção. Floating definitivamente é mestre na criação de camadas se sobrepondo mas que ao mesmo tempo não se agridem – muitas das vezes jogando a percepção de algumas para segundo plano – mas aqui todas elas parecem em primeira pessoa, recriando uma ilusão auditiva de triplas sonoridades techno-sônicas.

Essa tese sonora permanece em “arp3”: Um túnel de sensações recombina-se numa pista inacreditalmente translúcida – onde Point parece friamente calcular as equações com precisão cirúrgica – O lisérgico resultado não parece nenhum devaneio andróide e sim a evidência de estarmos no limiar de um resultado até então inexplorado – sem dúvida uma das obras primas desse disco.

Se é de um túnel de sensações que falávamos “sais” traz o final dele em passagem pelos mais cotidianos fluidos das cidades. A elegância do jazz com o minimalismo techno e a sutileza –metamórfosica de Point- cria uma espécie de física futurística que não precisamos compreender  e sim recriar suas alterações do espaço em nossas capsulas cerebrais em ácidas sensações de expansão. Um dos melhores discos de 2011.

Para ouvidos entorpecidos por: Física Quântica, Jazz space, Techno experimental, Garage, minimalismos sintéticos, lisérgicas pistas.


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com

14.9.11

Alice Coltrane - Huntington Ashram Monastery

 

Alice Coltrane

 

Disco: Huntington Ashram Monastery (1969)

 

Harpas despencam dos penhascos da melodia como se cachoeira fosse; inacreditável e indefinível como os mistérios da vida, Huntington Ashram Monastery é o portal de entrada para as dimensões que julgávamos impossíveis na música. Alice é como um antídoto que ao tomarmos, adentramos os mais profundos onirismos e vagamos encantados e surpreendidos pelas paisagens que tínhamos visto em sonhos dispersos ou lido nos delírios de algum poeta surrealista.

Um disco que vasculha a beleza exótica do free jazz; as raízes de percursos por crepusculares sensações de salto, sobrevoando os descampados, onde o bater das asas geram sons de harpas que preenchem cada segundo transbordando suas percepções da realidade múltipla; esse é o entrelaço sublime de “Turiya” segunda faixa desse petardo.

Se o baixo é o ponto de partida em “Paramahansa Lake” as harpas mais uma vez soltam suas pétalas pelos vasto chão das nossas mais extremas alucinações. Alice, como um poeta, escreve vastas poesias na pele da melodia, suas harpas desafiam as leis da física e chegam até as extremidades, onde o universo parece estar a cargo de nós, inventarmos.

Alice senta e coloca o piano em primeiro plano no monologo “I.H.S”. Ouvindo suas teclas tensas, harpas ainda ressoam em nosso inconsciente mas, assistimos ao afugentar de algum fantasma na mente insana e lúdica da musa. Sentimos com ela a beleza se desfazer em lágrimas; gestos se desmancharem na ausência de sentido, olhares que já não se reconhecem, intensos goles de veneno e chamas que insistem em não se apagar apesar de mortas; o piano de Alice Coltrane quer nos dizer algo que vem das mais profundas razões, só precisamos estar de espírito para mergulharmos num oceano absolutamente nosso.

Como acordar de um colossal sonho ou como estar dentro de algum quadro de Rene Magritte e voltar sem atordoamento e sim sabendo que fez um viagem espiritual; com doses de pesadelo e ácido, Alice nos entrega a cereja do bolo “Jaya Jaya Rama”. baixo;bateria inquietos, quebradiços se contrapõe a esquizofrênicas teclas de piano; onde a poesia desabafa e reencontra com o lado material das coisas, seu toque, sua percepções aguda, abraça a realidade cotidiana; vaga pelo nós da matéria e destila longos discursos mundanos, mas sabe-se e só nós sabemos; o quão longe estivemos; seduzidos e entorpecidos por mais essa obra de arte de Alice Coltrane.

 

Para ouvidos entorpecidos por: Universos paralelos; paisagens surrealistas; musica alucinógena, poetas malditos, anti-gravidade, Alice Coltrane.

 

Link>

 

Download

24.8.11

Jan Jelinek – Tierbeobachtungen

Jan Jelinek

 

Disco– Tierbeobachtungen (2006)

 

No monolítico “Kosmischer Pitch” Jan Jelinek adentrava o vácuo. A anti - matéria entrava numa espécie de atrito com os circuitos mais indivisíveis da sua viagem transmental rumando ao desconhecido espaço; seguindo essa lógica, Tierbeobachtungen é a chegada num planeta cuja a paisagem mórbida – não menos fascinante – serve como pano – para nossos ouvidos – verdadeiras sondas – sentir o chão solitário onde o silêncio parece ter nascido para ensurdecedoras perturbações hipnóticas.

Ouvindo esse petardo, só Berlim poderia ser a base – digo – plataforma - de decolagem sob as mais fortes referencias místicas de um Popol Vuh ou as imaginações mais férteis de um Cosmic Jokers (bandas xâmanicas que na verdade nunca foram desse planeta) e Jan Jelinek parece ter intimidade com a atmosfera rustica e desafiadora. Seu registro é qualquer coisa de não-humano, pós-civilização, onde nossos ouvidos-sonda vasculha esse inexplorado território sônico.  

 

Para ouvidos entorpecidos por: Civilizações desconhecidas, outras galáxias, Popol Vuh, Alice Coltrane, Cosmic Jokes, Klaus Shulze, Tangerina Dream, sondas e artefatos.


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com

 

23.8.11

Alice Coltrane - World Galaxy (1972)

 

ALICE COLTRANE

Disco: World Galaxy (1972)

E a poetisa das galáxias volta a ordem do dia com o petardo “World Galaxy”. Sua música parece um animal indomável que rasgou as gaiolas da melodia e veio se moldando pelas vielas rumo ao vasto campo do universo. Esse universo inigualável e desafiador. Onde harpas afagam os rostos de delicados baixos e saxofones escrevem nas paredes dos nossos ouvidos, cosmicas poesias de versos redentores.

Ainda há espaço para chocantes releituras de dois temas clássicos de John Coltrane, para a abertura, harpas se deleitam em “My Favorite Things” texturizados entrelaçamentos transcendentes. As portas se abrem para múltiplas conexões espirituais que reservam o mais puro deslocamento metafísico.

Para o encerramento “A Love Supreme” (um clássico de Jonh Coltrane) onde Swami Satchidananda (líder espiritual de Alice) declama um poema:“Deixe que o Amor Supremo reinar sobre o universo, Om shanti, Shanti, Shanti, Hariom” e somos conduzidos ao transe, onde entraremos em contato com as entidades sagradas da música. Definitivamente o jazz espiritual de Alice Coltrane é uma passagem secreta para outras dimensões.

World Galaxy

Alice Coltrane :percussion, piano (2), organ (1,4,5), harp (1,3,4,5), tamboura (4);

Reggie Workman : bass;

Ben Riley : drums;

Elayne Jones : timpani;

Frank Lowe : saxophones, percussion;

Swami Satchidananda (5) : voice;

Leroy Jenkins (5) : solo violin;


STRING ORCHESTRA -

David Sackson : concertmaster; Arthur Aaron, Henry Aaron, Julien Barber, Avron Coleman, Harry Glickman, Edward Green, Janet Hill, LeRoy Jenkins, Joan Kalisch, Ronald Lipscomb, Seymour Miroff, Thomas Nickerson, Alan Shulman, Irving Spice, William Stone : strings.

Para ouvidos entorpecidos por: Free Jazz, Jazz space, viagens espirituais, rituais hindu, Jonh Coltrane, montanhas, por do sol, música com alma.

8.7.11

Jan Jelinek - kosmischer pitch (2005)

Jan Jelinek

 

Kosmischer Pitch (2005)

 

“universal band silhouette” chega lentamente, como num cerimonial hipnótico cyborg que vai se fragmentando em organismos mórbidos não menos fascinantes. Assim abre o sintético vasto universo krautrockano ou como Jan Jelinek gosta de divagar, seu techno minimalista centrado na lisergia dosada em atmosféricas densas e inimagináveis.

Mergulhar nos oito monólitos indecifráveis se reveste numa empolgação magica, como se tivesse encontrado um estranho e intrigante brinquedo que por alguma razão, você  sente que faz parte do universo dele e ele do seu.  Jan jelinek - kosmischer pitch  é como se achar as asas de alguma nave espacial num canto qualquer ou excêntricas inscrições que você jura que não são desse mundo. Um absurdo sonoro raro, uma peça que se metamorfoseia em partituras ilegíveis vinda do futuro, onde a anti-matéria é desenhada nas claves softwerianas com maestria. O krautrock nunca morreu, ele tem seu mais profícuo e indomável legado, o techno.

 

Para ouvidos entorpecidos por: The Cosmic Jokers, Tangerina Dream, Popol Vuh, Kraftwerk, Flying Lotus.

4.7.11

Matéria/BIOGRAFIA – Sun Ra

Por: Clube de Jazz

 

Sun Ra foi uma das personalidades mais excêntricas e divertidas do jazz moderno. O maestro, compositor e tecladista que afirmava ser um extraterrestre de Saturno, dirigiu a sua Myth-Science Solar Arkestra para inóspitas regiões da música, muito distante do jazz mainstream.

no fim de sua carreira, incluíam roupas estranhas(como orelhas do Mickey Mouse ), cantores e dançarinas exóticas. Os puritanos do jazz mantêm distância, mas muitos fãs foram atraídos para o jazz encantados pela sua sabedoria em improvisar utilizando o seu bom humor.


Essa celebridade recebeu o nome de Herman Blount quando nasceu em 22 de maio de 1914, em Birmingham, Alabama. Sun Ra estudou música muito cedo, e a princípio seguiu uma linha convencional, tocando na escola secundária e estudando música na Universidade de Alabama. Iinicialmente estava inclinado para a música clássica, mas depois passou para o jazz graças às influências de Ethel Waters, Bessie Smith e Fletcher Henderson.


As sementes do Arkestra germinaram em Chicago onde Sun Ra reuniu espíritos livres que aderiram a sua causa, como o saxofonista John Gilmore, Marshall Allen e Pat Patrick. Embora ele sempre estivesse pronto a extrapolar a esfera do jazz, as primeiras gravações de Sun Ra como líder de banda no selo Delmark tinham um swing modal, com intuito de elevar a sensibilidade coletiva do grupo.
Até o momento em que Sun Ra levou sua comunidade de músicos para Filadélfia em 1961, eles eram julgados como uma anomalia no mundo do jazz. Para ter controle da sua obra, esse intrépido líder criou a sua própria gravadora, a Saturn. Muitos destas gravações ganharam uma vida nova numa reedição de sua obra através da Evidence Records.


Enquanto as apresentações de Sun nos anos oitenta e início dos anos noventa continuaram a ser caracterizadas por um espírito festivo, estava claro que o piloto intergaláctico preparava para se encaminhar a uma outra dimensão.
Embora Sol Ra morreu 30 de maio de 1993, mas o seu Arkestra ainda realiza apresentações, mas os espetáculos perderam o seu vigor e humor dos tempos em que o tecladista de Saturno ainda vagava pela terra.

 

Matéria Original em >clubedejazz

DISCOGRAFIA

1957
Sound of Joy
Delmark

1959
The Nubians of Plutonia
Impulse!

1965
The Heliocentric Worlds of Sun Ra, Vol. 1- 2
Calibre

1967
Atlantis
Evidence

1972
Space Is the Place
GRP

1977
Solo Piano, Vol. 1 - 2
Improvising

1978
Lanquidity
Evidence

1986
Reflections in Blue
Black Saint

1990
Mayan Temples
Black Saint

2003
Nuits de la Fondation Maeght
Universe

10.4.11

Tangerina Dream - Eletrônico Meditation (1970)

  Tangerine Dream

  Disco: Electronic Meditation (1970)

 

Adentrar os circuitos futurísticos do inigualáveis Tangerina Dream é viajar no tempo e espaço anos a frente do presente. O mundo assustadoramente sintético, isso em 1970.

O poder desconstrutor dessa “meditação eletrônica” remete numa aflição surrealista num fundo metálico com gritos sobre as bordas. Os tons mais alucinantes e as cores vindas da guitarra-cogumelos de Froese, pintam um verdadeiro quadro abstrato onde ao ouvirmos, somos atraídos para as extremidades de um cyberspaço ainda desconhecido.

Percebemos a tecnologia feita em computadores cavernosos ainda na lenha da evoluções astronômicas, muito além da web e dos cyborganos mp3, aqui os Tangerina Dream são os senhores do futuro e nos entregam um documento teletransportado dentro da mente doentia dFroese, Klaus Schulze e Conrad Schnitzler.

O disco gravado ainda com os rudimentares recursos eletrônicos da época, numa fábrica nos becos de Berlim, onde o free jazz kraut com intensas doses cavalares de krautrokces nervosas reúne elementos para um clássico histórico do rock cósmico alemão.

 

 

Para ouvidos entorpecidos por: Klaus Sshuze, Karlhenize Stockhausen, Popol Vuh

 

Download

12.8.10

Alice Coltrane

Alice Coltrane, nascida Alice McLeod (Detroit, Michigan, 27 de agosto de 1937 - Los Angeles, Califórnia, 12 de janeiro de 2007), foi uma pianista, organista, harpista e compositora de jazz.

O jazz do espaço segundo Alice Coltrane.

Não há chão para Alice Coltrane

Alice Coltrane estudou música clássica e teve lições de piano dadas por Bud Powell. Começou a actuar como intérprete de jazz em Detroit com o seu próprio trio e em dueto com Terry Pollard

Uma verdadeira música das galáxias.

Monastic Trio (1968) (Primeiro disco de Alice Coltrane)

  • Alice Coltrane — harp, piano
  • Pharoah Sanders — flute, bass clarinet, tenor saxophone
  • Jimmy Garrison — bass
  • Rashied Ali — drums
  • Ben Riley — drums
  • Link> Download

    Huntington Ashram Monastery (1969)

    *Alice Coltrane — harp, piano
    *Ron Carter — bass
    *Rashied Ali — drums

    Link> Download

    Ptah the El Daoud (1970)

  • Alice Coltrane — harp, piano
  • Joe Henderson — alto flute, tenor saxophone
  • Pharoah Sanders — alto flute, tenor saxophone, bells
  • Ron Carter — bass
  • Ben Riley — drums
  • Link> Download

    Journey in Satchidananda (1971)

  • Alice Coltraneharp, piano
  • Pharoah Sanderssoprano saxophone, percussion
  • Vishnu Woodoud (on track 5)
  • Charlie Hadenbass (on track 5)
  • Cecil McBeebass
  • Tulsitambura
  • Rashied Alidrums
  • Majid Shabazzbells, tambourine
  • Link> Download

    3.8.10

    Crítica/FLAMING LIPS - The Soft Bulletin

    por Cassiano Fagundes

    FLAMING LIPS

    Disco: The Soft Bulletin (1999)

    Robert O’Connor, do semanário New York Press, sugere que todos nós precisamos às vezes de amigos imaginários, e que no caso ele poderia ser o Flaming Lips. Porque a imprensa americana trata Wayne Coyne e sua banda como o primo mais novo que ficou louco de ácido e nunca mais voltou, suas armações são sempre vistas sob a lente da compaixão (condescência). "Soft Bulletin" deve reafirmar a imagem de um trio de lunáticos, mas também pode dar a idéia de que sua piada esquisita é necessária para o bem-estar da música no momento pasteurizado pelo qual passamos.

    Piada para quem não gosta de ficção científica. Numa canção logo no começo do CD, um órgão meio John Paul Jones abre alas para Coyne (Race For the Prize): "Two Scientists are racing for the good of all mankind/both of them side by side, so determined/ Locked In heated battle for the cure that is the prize/It’s so dangerous, but they’re determined..." (Dois cientistas estão disputando pelo bem de toda a humanidade/os dois lado-a-lado, tão determinados/ Envolvidos em batalha brava pela cura que é o prêmio/ é tão perigoso, mas eles estão determinados"; ou para quem não acha genuína a tentativa de explicar o começo dos tempos no encarte (lê-se que "What Is The Light" é sobre a hipótese não testada de que a mesma reação química em nossos cérebros que nos faz sentir amor causou o Big Bang que deu origem ao universo em expansão).

    A co-produção impecável de Dave Fridmann (ex-Mercury Rev, a banda irmã dos Lips) e uma mixagem que distanciou os instrumentos ao máximo uns dos outros a fim de realçar a forma (e efeitos) de cada som deram ao disco uma delicadeza sombria que por vezes causa estranheza quando se tenta combinar as imagens sugeridas pelas palavras à música. A tensão causada pode perturbar ou ser até difícil de engolir para não-iniciados, porém quando se descobre que "Soft Bulletin" é do tipo que funciona como um álbum e deve ser escutado do começo ao fim para se ter prazer, há uma grande possibilidade de você achar que está diante de um dos melhores sons dos últimos 12 anos. Já se você não entende inglês e está acostumado a se contentar com a melodia dos vocais, deve desconsiderar todos as convenções de como um bom vocalista deve ser. Do contrário, há o risco de implicar com a voz de Coyne.

    Sinto no ar de Soft Bulletin pretensão não levada à sério. E uma pegada claramente Led Zeppelin em alguns momentos que contrabalançam a melancolia festiva e por vezes épica dos 14 números. Não há nada de novo e revolucionário aqui. Só a certeza de que nunca houve nada tão novo e revolucionário.

    20 anos atrás, se alguém houvesse tentado prever como seria o disco do ano de 1999, o resultado não teria sido muito diferente deste que está tocando no meu som nesse exato segundo.

    Capa

    Para ouvidos entorpecidos por: Faust,Radiohead,Marcure Rev

     

    Link> Download

    17.7.10

    Sam Sheperd/Floating Points

    Sam Sheperd

    Projeto: Floating points

    O jovem menino prodígio da terra da rainha Sam Sheperd com seu projeto de infinitas dimensões (Floating points) é uma dos grandes "achados" da eletrônica contemporânea. Sua música horizontal diga-se espacial diga-se sem interferência da gravidade  se une e se espalha  como pontos flutuantes inimagináveis apontando para o futuro além da galáxia...

    Remix

    Remix

    Remix

    Remix

     

    Para ouvidos entorpecidos por: IDM, Novidades tecnológicas, cosmogonia, space jazz.

    9.7.10

    Crítica/ Charles Mingus

    O ano de 1959 foi um divisor de águas para o jazz. Todas as grandes gravações foram lançadas durante este ano, incluindo ‘Kind of Blue’ (Miles Davis), ‘Giant Steps’ (John Coltrane), ‘The Shape of Jazz To Come’ (Ornette Coleman), ‘Time Out’ (Dave Brubeck) e, naturalmente, ‘Mingus Ah Um’, considerado como uma gravação que sinalizou o florescimento e desenvolvimento de Charles Mingus como contrabaixista, compositor e ocasionalmente pianista de jazz. Ele também ficou conhecido pelo seu ativismo contra a injustiça racial, presente no seu país. Em seus anos de aprendizado Mingus lutou para encontrar o seu lugar ao Sol, sempre preocupado com a falta de dinheiro e como negro suportou os ultrajes da época em um país que o considerava um cidadão de segunda categoria. Mingus conviveu com a ignorância e a intolerância que sufocava o seu trabalho e tanto como qualquer outro artista do século passado, sua vida foi a música. E para evitar a pressão comercial e exploração das grandes gravadoras Mingus fundou seu próprio selo em 1952. Mingus é considerado um dos mais importantes compositores e intérpretes de jazz, assim como um pioneiro na técnica do baixo. Era ao mesmo tempo uma enciclopédia e um laboratório do jazz. Quase tão conhecido como a sua música era o seu temperamento que lhe rendeu o apelido de ‘the angry man of jazz’. Os membros de sua banda eram rotineiramente repreendidos, mesmo agredidos fisicamente no palco, quando cometiam erros ou quando não mostravam atitudes apropriadas.
    charles mingus thelonious monk charlie parkerMingus tinha o grande maestro Duke Ellington como paradigma. Durante toda a década de 50 ele refinou o seu estilo musical até a exaustão, mas manteve-se incapaz de atrair um público significativo. Devorou a obra de Stravinsky e Schoenberg, bem como de Duke Ellington, Charlie Parker, Thelonious Monk e Gillespie e lentamente sua confiança cresceu.

    Mingus foi o primeiro músico de jazz desde Ellington, que poderia competir com compositores clássicos. Um intelectual orgulhoso que publicamente desprezava os hábitos decadentes de muitas estrelas do jazz e até mesmo a atitude bárbara do público de jazz em comparação com o público da música clássica. Em 1955, Mingus foi envolvido em um incidente notório quando tocava com Charlie Parker, Bud Powell e Max Roach. Bud Powell que sofria de alcoolismo e doença mental agravada por tratamentos de eletrochoque, em certa ocasião, sem conseguir tocar ou falar de forma coerente teve de ser ajudado a se retirar do palco. Para exasperação de Mingus, Charlie Parker com um microfone pedia o retorno de Powell. Mingus tomou outro microfone e anunciou à multidão: ‘Senhoras e senhores, por favor, não me associem com nada disto. Este não é o jazz. E essas são pessoas doentes’. Cerca de uma semana depois Charlie Parker morreu, após anos de abuso de álcool e drogas. Mingus considerava Parker um gênio e inovador na história do jazz, tanto que suas composições e improvisações o inspiraram e o influenciaram, mas Mingus tinha uma relação de amor e ódio com o legado de Parker por causa de seus hábitos destrutivos.
    charles mingusCharles Mingus Jr., nasceu no Arizona. Sua mãe era descendente de chineses e ingleses, enquanto os registros históricos indicam que seu pai era filho ilegítimo de um colono negro e de uma das netas de seu empregador sueco.

    Criado em Los Angeles, Charles Mingus, também era um espécime raro em um mundo do jazz que era cada vez mais centrado em torno de Nova York. Um menino prodígio que compôs ‘Half-Mast Inhibition’ (1941) quando tinha apenas 19 anos. Tocou com Louis Armstrong e Lionel Hampton, mas não tinha nada em comum com a era do swing. Indo para Nova York, antes de alcançar o reconhecimento comercial como maestro, ele tocou com Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Bud Powell e Max Roach, imortalizado no ‘Jazz at Nassey Hall’ em 1953. Sua primeira grande conquista foi a gravação de ‘Pithecanthropus Erectus’ (1956). Gravado por um quinteto o destaque do álbum de quatro movimentos é o ‘Pithecanthropus Erectus’ que influenciou o nascimento do free jazz, mas o álbum também contém ‘Love Chant’, uma suite enigmática e uma versão de oito minutos de ‘A Foggy Day’ composição de Gershwin que se transformou em uma mini-sinfonia de ruídos da cidade, todos simulados pelos instrumentos.
    Dezenas de músicos passaram por suas bandas. Na criação de suas bandas, Mingus exigia não só as habilidades dos músicos disponíveis, mas também de suas personalidades. Mingus foi também influente e criativo como um líder de banda, ele se esforçava para criar uma música original a ser tocada por músicos originais. Lidando com profundos problemas psicológicos, Mingus abandonou a cena musical nos anos 60 para se concentrar em escrever uma autobiografia.

    Em 1968 ele foi despejado de seu apartamento em Nova York, e muito de sua música escrita foi perdida nesse episódio. Descobriu que sofria de esclerose lateral amiotrófica, popularmente conhecida como doença de Lou Gehrig, uma degeneração da musculatura até que na década de 70 ele não pode mais tocar o seu instrumento. Limitado a uma cadeira de rodas e incapaz até para tocar piano, Mingus continuou compondo e supervisionado gravações antes da sua morte. Morreu aos 56 anos em Cuernavaca, México, onde ele tinha viajado para tratamento e convalescença. Suas cinzas foram jogadas no rio Ganges. Ainda assim, a música de Mingus viveu. Pouco depois de sua morte, sua viúva Sue Mingus formou a ‘Mingus Big Band’, premiada e considerada como uma das mais importantes ‘big bands’ de jazz existentes, para manter viva a obra de Mingus. Em 1989, dez anos após sua morte, uma estréia mundial foi realizada no ‘Lincoln Center’ em Nova York para sua composição ‘Epitaph’, uma obra-prima que foi descoberta após a sua morte.

     

    Link> Download

    Texto encontrado em > Pintando Música

    21.6.10

    alICE COLtrANE - uniVERSAL cOnSCIOUSness

     

    Alice Coltrane

    Disco:  uniVERSAL cOnSCIOUSness (1971)

    O free jazz espiritual de Alice Coltrane (1937 - 2007) encontrou em  Universal Consciousness um das suas expressões máximas. Sangrando os limites do espaço, onde as camadas de harpa entrelaçadas -- nas mãos da musa - encontra as asas da melodias em voo espaciais por um sublime e arrebatador universo místico, mântrico, intergalatico. As alucinações que parecem saidas dos mais extraterrestres pesadelos como na faixa título "Universal Consciousness" ou os poucos mais de oito minutos de "Hare Krishna" parecem diluir o tempo em taças que transbordam paz e beleza imensurável. As Harpas espacias de "Sita Ram" e "The Ankh Of Amen-Ra"  trasncendem os úteros do jazz - tocando nos mantos de deus - sob a batuta de uma das artistas mais geniais e indiviziveis da música popular em todos os tempos.

    1. Universal Consciousness

    2. Battle At Armageddon

    3. Oh Allah

    4. Hare Krishn

    5. Sita Ram

    6. The Ankh of Amen-Ra

     

    Alice Coltrane (harpa, órgão e arranjos)

     John Blair, Joan Kalisch, Julius Brand, Leroy Jenkins e Jimmy Garrison (cordas)

     Tulsi, Rashied Ali, Clifford Jarvis e Jack DeJohnette (bateria e percussão).

    Alice-Coltrane

    Capa

    Para ouvidos entorpecidos por: Jonh Coltrane, Sun Ra, Bud Powell.

    Link> Download