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7.4.11

Isobel Campbel & Mark Lanegan – Hawk

Por: Andréia Loureiro

Isobel Campbel & Mark Lanegan

Disco: Hawk (2010)

Isobel Campbel & Mark Lanegan, componentes de um paradoxo, já há tempos cientes da equação perfeita, continuam com seu belo e inigualável dueto em Hawk, terceiro trabalho da dupla lançado em 2010. Sem amarras e leves, voam juntos pelo universo do blues, jazz, soul, folk e country. Canções apuradas e de qualidade que deixam transparecer o senso de quem sabe exatamente o que faz.

We die and See Beauty Reign, música inicial, soa melancólica e misteriosa: apenas os mais sensíveis serão convidados? Logo a aura é quebrada pela pegada blues de You Won’t Let Me Down Again, seguida pela charmosa Snake Song.

A doce Campbell sussurra através da voz dolorosa e rouca de Lanegan e o reconforta em Come Undone e na belíssima No Place to Fall. Hawk é o ponto alto, quebrando o ritmo, entra calorosa, debochada e visceral.

Em passeios solitários em Sunrise, To Hell & Back Again, Campbell faz lembrar a sonoridade branda do seu antigo grupo, Belle and Sebastian, demonstrando que a banda escocesa ainda deixa marcas, apenas marcas, a personalidade de Campbell suplanta. Aliás, é ela quem assina a maioria das composições.

A vibrante Lately, um soul com Lanegan acompanhado de entusiasmados vocais feminino, conclui este fascinante disco. Canções que tentam ser despretensiosas, mas que não enganam, estamos diante de mais um excelente trabalho - elaborado, maduro e desafiador.

Na capa do álbum, Campbell e Lanegan nos olham através do vidro embaçado do carro. Estão de partida. É um álbum para estrada, asfalto, terra, movimento. Quem irá acompanhá-los?

Para ouvidos entorpecidos por: Belle and Sebastian, Wilco, Neil Young

 

 

 

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4.8.10

Radiohead – The Bends

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Radiohead

Disco: The Bends (1995)

Amigos imaginários povoam nossas vidas desdos tempos de infância e preenche nosso mundo com o universo único do sonho. Depois crescemos, adquirimos a responsabilidade e os pesos do mundo e algumas coisas se perdem, mas outras permanecem intactas sobre outras formas. Papel fundamental da arte e uma das suas vocações. Espreguiça-se dentro de nós, empurrando a inércia para o lado de fora, trazendo luz aos sentimentos e desatrelando nós de qualquer vazio. Mesmo que essa seja espelho do próprio artista e de sua obra mesmo que essa seja vasta e infinita. E esse papel de "amigo imaginário" é o papel que The Bends tem pra mim. Do primeiro e crucial mergulho até o âmago do que somos e ao avançar da profundidade a certeza...

Quem somos?

Um vento surge dos meandros do silêncio e se fragmenta em pequenos organismos que aos poucos vão reconhecendo um o outro e formando a textura de "Planet Telex". As distorções da guitarra misturam-se ao sublime canto desolador de Thom. Ele dobra-se, espreme-se pelos compartimentos de uma canção urgente e sublime não menos de alma quebrada. Se o mergulho está cada vez mais fundo, a faixa-título "The Bends" é o atestado de alguém perdido nas próprias poças imensas da profundidade. Para onde iremos? Canção irretocável. Texturas de guitarras estremecem vocais trovadores e tudo se acalma num violão desencarnado. O pessimismo toma conta até das mais sensíveis das verdades e a canção se eterniza erguendo a constatação de um abismo.

Se a urgência de uma alma febril pontua a textura das duas primeiras canções, Phil Selway pede calma e abre a sublime "High and Dry". O violão “Automatic for peopleano” pontua uma das mais belas canções da nossa geração. A certeza que estamos indo cada vez mais fundo e pior do que nunca e que isso parece sem volta. Não só não conseguimos mais controlar as coisas como elas controlaram e moldam o que almejávamos ser. O que almejávamos? ao olhar para trás o silêncio seria a melhor das respostas.

E depois de sentarmos num canto contemplamos a efemidade e a passagem das horas sob a dilacedora melodia pontiaguda de "fake Plastic Treens". Se as cores começam a desbotar e já não temos mais certeza do caminho, tudo começa a ruir e o sentido é deixado em alguma esquina. O violão rasga a pele da canção, Sem dúvida uma das mais belas de todos os tempos.

Sentimos isso nos ossos e até quando disfarçaremos? "Bones" é áspera e aponta em nossa cara. Escancara no meio da multidão dos nossos sentidos o desconhecido que nos tornamos e agride a ferida num ato desesperador de mescla de medo e otimismo encarnado. Quando vamos voltar a sentir? As guitarras erguem as paredes para depois desabá-las. E nós, Peter pans envelhecidos despencamos na cama em lágrimas e soluços.

Ainda temos força para um sonho bom? "Nice Dream" é a própria beleza radiohediana em forma de esperança desolada em algum horizonte sem horizonte. O violão choca-se com pequenas construções de piano e solo erguendo uma nuvem acima das nossas cabeças. Se olharmos bem, são os sonhos bons que nos movem além de nós mesmo.

A queda contínua, apos um momentâneo esquecimento é retomada na dissonantemente instigante "Just". O violão é soterrado pelos braços de guitarras que transbordam por todos os poros. Canção amarga que te joga pelas goelas e vamos capotando em solo desconcertante e vocal que te olha nos olhos, antes de te vomitar.

O mergulho parece deixar dormente até a alma mais perturbada e isso é descrito no hino "My Iron Lung". O diálogo entre as guitarras parece verdadeiras óperas ouvidas no fundo do oceano. A fé que abandona a falta até da própria dor, a ânsia para não cair nos sonos das meras lamentações juvenis e ali ficar, como alguém que sucumbe na própria poça de sangue permeia o pulmão de ferro da melodia.

Mistura de aspereza e sublimidade que deságua nos recifes e plana ao lado das algas de "Bullet Proof..I Wish I Was".

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O violão de volta a ordem vaga pelas embarcações das nossas memórias e olhamos apenas o movimento das coisas que vão e vem... Disposto a sentir até as útimas conseqüências, até o último suspiro, disposto a voltar, mesmo que para isso haja dor, voltar, voltar a sentir a si mesmo. E isso se entrelaça numa canção rara.

Se nosso mergulho íntimo é invisível aos olhos do mundo "Black star" surge de um crescente silêncio e como alguém devorado por mil ratos por dentro e todo colado por fora se perde em contemplações e sem poder explicar realmente os acontecimentos exaspera-se em desculpas que lembram os grandes poetas malditos e suas incompreensíveis e líricas verdades atemporais e dramaticas. E essas verdades formam e moldam aquilo que somos mesmo sendo apenas e, sobretudo para nós mesmos.

E essa espécie de constatação daquilo que não volta mais, se forma na beleza dramática de "Sulk" e se dilata como uma ferida exposta na última obra prima da obra. "street spirit". A dedilhação toca as mãos dos anjos da melodia e o vocal se encarrega de nos fazer voar nas imensidões de volta do mar, intenso e imenso mar do que acreditamos que somos. Para Yorke uma canção que o atinge e o consome e se formos pensar bem... Como ela nos atinge! A volta das profundidades mais inconfessáveis revela confissões silenciosas. O mundo. Como traduzir o mundo? Nós? Sonhadores? Toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor realmente? Todas as coisas que nos fazem desaparecer, todas as coisas posicionadas, tudo no seu devido lugar? Como desaparecer completamente? Arvores de plásticos? Num limbo? Flutuando para a Lua? Num rio de olhos negros?...Somos os espíritos das ruas. Das ruas de nós mesmo e do mundo. E para onde correr? A última mensagem dessa obra de arte chamada de The Bends - segunda obra desses meninos e sua primeira obra inesquecível é -

…Afunde sua alma em amor...

E nós, silenciamos com as lágrimas do sentir. A verdadeira razão desse disco, sentir!

Até a última gota de cada segundo... Sentir!

Como diz o poeta Fernando Pessoa:

“Sentir tudo Interminavelmente”.

Então voltemos e mergulhamos de novo e sempre à esse amigo imaginário – aquele que te ouve e te entende em forma disco.

Doze manisfestos que permanecem intocáveis em nossos corações.

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Para ouvidos entorpecidos por: R.e.m, Joy Division, Jeff Buckley

3.8.10

Crítica/FLAMING LIPS - The Soft Bulletin

por Cassiano Fagundes

FLAMING LIPS

Disco: The Soft Bulletin (1999)

Robert O’Connor, do semanário New York Press, sugere que todos nós precisamos às vezes de amigos imaginários, e que no caso ele poderia ser o Flaming Lips. Porque a imprensa americana trata Wayne Coyne e sua banda como o primo mais novo que ficou louco de ácido e nunca mais voltou, suas armações são sempre vistas sob a lente da compaixão (condescência). "Soft Bulletin" deve reafirmar a imagem de um trio de lunáticos, mas também pode dar a idéia de que sua piada esquisita é necessária para o bem-estar da música no momento pasteurizado pelo qual passamos.

Piada para quem não gosta de ficção científica. Numa canção logo no começo do CD, um órgão meio John Paul Jones abre alas para Coyne (Race For the Prize): "Two Scientists are racing for the good of all mankind/both of them side by side, so determined/ Locked In heated battle for the cure that is the prize/It’s so dangerous, but they’re determined..." (Dois cientistas estão disputando pelo bem de toda a humanidade/os dois lado-a-lado, tão determinados/ Envolvidos em batalha brava pela cura que é o prêmio/ é tão perigoso, mas eles estão determinados"; ou para quem não acha genuína a tentativa de explicar o começo dos tempos no encarte (lê-se que "What Is The Light" é sobre a hipótese não testada de que a mesma reação química em nossos cérebros que nos faz sentir amor causou o Big Bang que deu origem ao universo em expansão).

A co-produção impecável de Dave Fridmann (ex-Mercury Rev, a banda irmã dos Lips) e uma mixagem que distanciou os instrumentos ao máximo uns dos outros a fim de realçar a forma (e efeitos) de cada som deram ao disco uma delicadeza sombria que por vezes causa estranheza quando se tenta combinar as imagens sugeridas pelas palavras à música. A tensão causada pode perturbar ou ser até difícil de engolir para não-iniciados, porém quando se descobre que "Soft Bulletin" é do tipo que funciona como um álbum e deve ser escutado do começo ao fim para se ter prazer, há uma grande possibilidade de você achar que está diante de um dos melhores sons dos últimos 12 anos. Já se você não entende inglês e está acostumado a se contentar com a melodia dos vocais, deve desconsiderar todos as convenções de como um bom vocalista deve ser. Do contrário, há o risco de implicar com a voz de Coyne.

Sinto no ar de Soft Bulletin pretensão não levada à sério. E uma pegada claramente Led Zeppelin em alguns momentos que contrabalançam a melancolia festiva e por vezes épica dos 14 números. Não há nada de novo e revolucionário aqui. Só a certeza de que nunca houve nada tão novo e revolucionário.

20 anos atrás, se alguém houvesse tentado prever como seria o disco do ano de 1999, o resultado não teria sido muito diferente deste que está tocando no meu som nesse exato segundo.

Capa

Para ouvidos entorpecidos por: Faust,Radiohead,Marcure Rev

 

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10.6.10

Rem - Up



R.e.m

Disco: Up (1998)


Desdo início dos anos oitenta,
Peter Buck,Mike Mills, Michael Stipe e Bill Berry
vinham encantando a música alternativa americana e o mundo com sua linha inconfundível de melodias,
ambientes caros a si mesmos e letras confessionais marcantes. Chegando ao um grau máximo de excelência no irretocável "Automatic for the People" de 1992. Mas, algo deixou os fãs tenebrosos e mexeu com as estruturas do já consagrado grupo no final de 97, a saída do batera Bill Berry.
Abalado Michel Stipe começa a trabalhar em novas letras e a banda ensaia uma pequena turnê pela europa e resolve se juntar a Nigel Grodich (sexto membro do Radiohead) para o que viria a ser o décimo disco da discografia dos Rem.
Up é um dos discos mais belos e mais sensíveis da banda e uma pérola melancolica que respira certa saudades e recomeço na voz sublime de Stipe. Suas faixas reestruturam uma banda que juntava seus cacos e remontava seu som além das estruturas radiofonicas. Num ambiente cristalino, como num campo verdejante visto de uma janela ao longe, um passeio pelos litorais atraves dos pensamentos, das mémorias e da saudade.
Suas catorze faixas erguem um velho e conhecido pensamento: que na diversidade da alma, o artista, ser livre por natureza para criar seu universo e o transformar - como uma matéria prima - naquilo que tocará a alma daquele que se deixou tocar.
 
 
 
 



Para ouvidos entorpecidos por: Radiohead, Neil Young, Nick Drak



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29.12.09

Indie Rock

Grandaddy                                                                                                         Música: He's Simple, He's Dumb, He's The Pilot                                     Disco: The Sophtware Slump (2000)

The Sophtware Slump é psicodelia moderna. Iinfluencia direta dos míticos Ok Computer e The Soft Bolletin, aqui o Grandaddy cometia um disco atemporal e raro.

1. He's Simple, He's Dumb, He's the Pilot
2. Hewlett's Daughter
3. Jed the Humanoid
4. The Crystal Lake
5. Chartsengrafs
6. Underneath the Weeping Willow
7. Broken Household Appliance National Forest
8. Jed's Other Poem (Beautiful Ground)
9. E. Knievel Interlude (The Perils of Keeping It Real)
10. Miner at the Dial-a-View
11. So You'll Aim Toward the Sky

 

Para ouvindos entorpecidos por: Radiohead, Spiritualized, Flaming Lips