4.9.12

Robag Wruhme -Leistenhans Zwo (2012) Single

Robag Wruhme

 

Álbum - Leistenhans Zwo (2012)

 

Depois do magistral “Thora Vukk” (Ler review Aqui no PF) Robag Wruhme parece fazer parte um seleto grupo imaginário, onde elegância e delírios parecem permear cada movimento dos loops. E isso pode ser sentido nos primeiros segundos de “Brumby Kapell” faixa de abertura do seu mais novo single, Leistenhans Zwo lançado em Maio. O movimento segue linear, agregando sub interferências que colam nas paredes da estrutura física sonora e parece circular com a engrenagem. Películas de vozes, desfragmentação, a base robótica geme desacelerações entrecardíaca, já estamos num processo de envenenamento até a faixa encerrar entre constelações sublimes de beleza medonha.

“Wolluwe” é a segunda parte do processo, sua cadência para o fio condutor por um emaranhado de cabos preste a romper-se nas artérias das nossas ilusões de realidade é um fato. Leistenhans Zwo (Lançado pela gravadora alemã Musik Krause) pode ser visto como a ponta de um universo ainda a ser descoberto, Robag Wruhme deve estar preso em seu laboratório em estado de verborragia mecânica, poética, densa, sobretudo, sintética.

Para ouvidos entorpecidos por: James Holden, Perc, Pantha Du Prince, Pistas coloridas.


OBJEKT - Cactus (2012)

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Objekt

 

Álbum: Cactus (2012) Single

 

Frequências são emitidas por softwares esquecidos num delírio interplanetário inacreditável. Suas ondas mesmo repletas de obturações e movimentos retrabalhados tem a missão reconfigurar nossos sentidos para futuras viagens, onde seremos parte de uma experiência ancestral não menos futurística. Esse é o password de Cactus, um pequeno single ou um monólito que devemos decodificar para achar mensagens? bem vindo a mais um achado dos inorgânicos Objekt.

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Para ouvidor entorpecidos por: Aphex Twin, Controladores, softwares, Techno, minimalismo, tecnologias.


3.9.12

Porter Ricks - Biokinetics (2012)

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Porter Ricks

 

Álbum  - Biokinetics (2012)

 

Mark Ernestus e Moritz von Oswald são sem dúvida uma dos mais influentes produtores Techno de todos os tempos. Mark fundou em 1996 o influente selo “Chain Reaction” e ambos fundaram a “Basic Channel” selo que ajudou a fundir Berlim e Detroit em mundos sintéticos inigualáveis para o gênero.

Lançado em 1996, Biokinetics é considerado um dos maiores clássicos do Techno anos 90, que Mark Ernestus e Moritz von Oswald resolveram então reler agora, no século XXI para nos fazer crê na metafísica dos loops surrealíssimos.  E o passeio pelo disco é a lisergia Techno com doses cavalares de camadas múltiplas que projetam o cérebro para receber líquidos antídotos de abstração e dimensionalidade.

Biokinetics é uma riqueza de detalhes que faz jus ser um dos discos que delimitam o Techno como quase uma filosofia de experimentos e ambições futurísticas. Cada faixa abre-se como uma caixinhas de softwares com vida própria para infiltrar-se em nossas sub percepções sonoras.

Há espaço para verdadeiras obras primas como “Port Of Call” com as bases típicas do universo minimalista, ambientes escuros como “Biokinetics 2” um verdadeiro abismo em espiral sônico e pertubadoramente calmo, experimentações rítmicas onde o movimento é retrabalhado em articulações improváveis em “Port Of Nuba”, diferente de “Nautical Dub” onde o movimento progressivo leva à desacelerações na pulsação dos nossos sentidos agora reprogramados.

Além de ser um registro histórico, “Biokinetics” é uma verdadeira aula Techno. Sua ambiência mágica ditou até o hoje os rumos de um dos estilos mais inovadores da história da música. Sua estrutura e translucidez no domínio da máquina artística, é um marco e um monólito que ainda renderá fontes inspiradores por longos anos. Se hoje o Techno é a vanguarda, com esse registro ele alcançou seus primeiros vôos interplanetários.

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Para ouvidos entorpecidos por: Jan Jelinek, Floating Point, Actress, Techno Vanguarda, multi ambientes, terceira dimensão, Jeff Mills.


1.9.12

Jam City - Classical Curves (2012)

 

Jam City

 

Álbum - Classical Curves (2012)

 

A maquinaria transveste a rítmica da coesão lúcida e nos remete à desconcertante fusões extremas de ácidas peças construídas em inadequações sonoras, então temos nas mãos os fios condutores de um espaço criado para o entorpecimento mútuo da anti matéria, tudo na janela plásmica de Classical Curves. A devastação pós humana de Jack Latham e sua releitura do futuro além das leis da matemática é transcrita em seu álbum que soa organicamente detentor de um estado alterado de esquizofrênica procura por programas e máquinas que possam trazer à tona a luz para razões perturbadoras.

Passeando por faixas como “Backseat Becomes A Zone While We Glide”, onde frequências lineares pulsam em profusões rígidas trazendo indecifráveis movimentos, enquanto vozes criptografadas ensaiam o sufocamento contínuo e sedutor. A não-humana “Her” e a psicótica “The Courts” trazem obscuras incertezas se estamos diante de um disco cyborg e translúcido ou uma ode humana a si mesmo.

O house em devaneio de “How We Relate to the Body” leva-nos à pistas com feixes inebriantes e isso parece caracterizar o Classical Curves. Sua fórmula gélida infiltra-se levemente em doces movimentos, já podemos mexer nossas mentes para caminhos flexíveis, não antes de passar por “Love Is Real” onde  Jack Latham executa sua colagem criando pequenos curto circuitos em nosso cérebro que logo são refeitos com doses de vocais negros saídos de um resquícios de melodia que por acidente escorreu das bordas na cereja “The Nite Life feat. Main Attrakionz”

Com Classical Curves, o projeto Jam City do produtor londrino Jack Latham encontra um lugar para nossa sede por paisagens além, muito além do comum, pistas que se refazem em jogos de luzes e decodificações, levando-nos ao encontro com lados imperceptíveis dos nossos próprios movimentos e sensações. Um achado.

 

Para Ouvidos Entorpecidos por: Robótica, pistas cinzentas, neblinas pela manhã, minimalismo & Futurismo.


Actress – RIP (2012)

Actress

 

Álbum: RIP (2012)

 

Ao bebermos o líquido metálico – como uma transfusão virtual e íntima – adentramos num oceano de sensações que estão muito além da robótica, nos transformamos em máquinas sensitivas, peixes geométricos, paisagens simétricas com pulsações rígidas e milimétricas. Através desse universo – paralelo – conhecemos os caminhos percorridos pela excelência suprema dos ingleses do Actress – um dos maiores achados sonoros dos últimos anos -que veio para confirmar com RIP que de certo, viver em nosso mundo é apenas uma opção gentil e complexamente mágica para Darren Cunningham.

Dúbias camadas se entrelaçam sem nó, apenas com a metafísica do abraço no ar, o oxigênio que respiramos, mesmo que enfumaçado, reflete substancias de cores jamais pensadas, máquinas e seres convivem no mesmo multi espaço, a física quântica de RIP é digna de um estudo que duraria décadas e esse parece ser o tempo quase que ideal, para percorrer todos os sub becos e decifrar todas as senhas irreais que se transvertem conforme vamos sentido a passagem do tempo.

Se “Ascending” leva-nos à pistas onde a gravidade parece apenas um software obsoleto, “Holy Water” é o líquido que onde nossa matéria desprende-se rumo à fusões necessárias e indefiníveis. “Marble Plexus” começa readaptando nosso cérebro à múltiplas realidades onde pequenas teclas sintetizadas dão a incolor sensação de descobertas incompreensíveis. “Jardin” é o passeio calmo de um fim de tarde, as flores inoxidadas remetem à lembranças jamais removidas porém, temporais em sua sensações, frias em seu toque e sofríveis num então embraquecimento.

“Serpent” faz o retorno à física, duplas camadas gemem pontiagudas reiterações gotejantes. “Raven” e “Glint” são mantras emitidos por freqüências que procuramos em meio à neblinas calmas, sem medo de precipícios momentâneos. RIP vai desaguando em seus pensamentos líquidos pelos túneis de volta a nossa realidade. Deixe “IWAAD” fazer todo o processo de reintegração, não espante-se se pegadas pastosamente cinzas forem vistas ao redor do chão, a certeza que estivemos numa ultra dimensão, irreparavelmente se concretizará.

RIP é o circuito onde o (já) mestre Darren Cunningham vai nos conduzindo por um universo onde os detalhes dependem do nível de entorpecimento que consegues chegar, a fascinação está no limiar de uma porta jamais adentrada. Um mergulho, um salto, um transbordamento na arrebentação da alma nos litorais irreconhecíveis.

Um dos melhores discos do ano certamente.

Actress - R.I.P.

Para ouvidos entorpecidos por: Máquinas futurísticas, Cyborgs, softwares, Techno cabeçudo, portais irreais, ácidos, arte em instalações.

 


31.8.12

Floating Points - Danger (EP)

 

Floating Point

 

Álbum: Danger (2011) EP

 

Voltando à ordem com Sam Shepherd e sua maestria loops psicótica, celestial, entre o vácuo e o delírio onipresente. Danger é um resíduo de linhas obscuras que progridem como uma correnteza desaguando na imaterialidade rítmica sem movimento fixo, sem bordas, sem chão melhor dizendo. Base central da quimera do mestre Floating Point, um mergulho quase científico numa geometria deslineante, um minúsculo instante capaz de longas maresias sintéticas.

 

Para ouvidos entorpecidos por: Floating Point, James Holden, Tangerina Dream, Klaus Shulze, bebidas coloridas.


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Austin Cesear - Cruise Forever (2012)

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Austin Cesear

 

Álbum - Cruise Forever (2012)

 

O Techno por vezes parece não encontrar seus limites. As razões para tal performance seria seu inebriante desejo de ultrapassar os limites da física que nos fazer crê em multi dimensões inimagináveis?

O debut do americano Austin Cesear é um atestado dessa constatação. Cruise Forever surge dos emaranhados mais labirinto do Techno, com paisagens saídas de um futurismo causando por um devaneio caótico de feixes e ventos metálicos que oxigenam cérebros a espera do antídoto sonoro exato.

Petardos como “The Groove” e “Shut In” aceleram as partículas do tempo em fragmentações  em dissonantes montagens de substancias rítmicas com colagens flutuantes de turvas paisagens cinzentas. Essa é senha para “In the Depths of the Ocean is Our Capitol” e  “B5 Travellers in Faith Dub”  fechando o disco com reverberações mântricas com ácidos neutros de pura lisergia pós transe.

Um descaço de estréia de Austin Cesear pela Public Information.

 

http://nofearofpop.net/wp-content/uploads/2012/07/artworks-000025587951-h51gr0-original.jpeg

Para ouvidos entorpecidos por: Jeff Mills, Techno classudo, cidades futurísticas, Ficção Científica, Philip K Dick.

 


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